Há exatamente um ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, abriu um inquérito altamente contestado contra oito empresários bolsonaristas. O inquérito foi iniciado após terem sido descobertos ataques ao STF, disseminação de desinformação sobre urnas eletrônicas e discussões inflamadas sobre a possibilidade de um golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder, tudo em um grupo privado no WhatsApp. Entretanto, uma decisão recente e sigilosa obtida pela revista Piauí revela que Moraes arquivou o inquérito contra seis dos empresários, continuando a investigação contra Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, e Luciano Hang, dono das lojas Havan.
Na decisão, Moraes ordenou o encerramento da investigação sobre Afrânio Barreira Filho, José Isaac Peres, José Koury Junior, Ivan Wrobel, Marco Aurélio Raymundo e Luiz André Tissot. O ministro argumentou que a investigação não possui elementos indiciários suficientes, deixando clara a falta de justa causa para continuar. Segundo ele, esses empresários, embora tenham concordado com notícias falsas, não ultrapassaram os limites da expressão interna no grupo, sem impactar terceiros como formadores de opinião.
Em sua justificativa original para o inquérito há um ano, Moraes suspeitava que esses empresários estavam financiando atos antidemocráticos no Sete de Setembro. Porém, em sua decisão atual, ele reavaliou a situação e apontou que as mensagens compartilhadas no grupo não foram suficientemente além de uma expressão interna.
Os empresários que ainda permanecem sob investigação são Meyer Nigri e Luciano Hang. Moraes destacou que Hang não forneceu a senha de seu celular durante a operação de busca e apreensão, o que impossibilita encerrar a investigação em relação a ele. Quanto a Nigri, o ministro destacou que a investigação da Polícia Federal confirmou um vínculo entre o empresário e Bolsonaro, incluindo a disseminação de notícias falsas prejudiciais à democracia.
As mensagens obtidas pelo Jornal Metrópoles mostram Nigri encaminhando mensagens de teor golpista, indicando que o STF seria responsável por uma guerra civil no Brasil e desconfiança em relação ao processo eleitoral. O advogado de Nigri, Alberto Toron, afirma que seu cliente recebeu mensagens, mas isso não implica concordância com seu conteúdo. Toron ressalta que Nigri não tinha contas em redes sociais para divulgação em massa, tornando a ideia sem sentido.


