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Dipirona: A controvérsia por trás de um medicamento amplo no Brasil e proibido em outros países

Enquanto a dipirona é um dos remédios mais vendidos no Brasil, sua proibição em partes do mundo destaca a controvérsia sobre possíveis efeitos colaterais graves e a falta de consenso científico.

A dipirona, um medicamento amplamente utilizado no Brasil para aliviar febre e dor, tem se destacado por sua eficácia, mas também por uma controversa proibição em várias partes do mundo. Enquanto mais de 215 milhões de doses foram comercializadas apenas no Brasil em 2022, sua presença é praticamente desconhecida em locais como os Estados Unidos e algumas partes da União Europeia, onde está proibida há décadas.

A controvérsia gira em torno de um possível efeito colateral grave da dipirona: a agranulocitose. Essa condição, marcada pela redução na quantidade de células de defesa do sangue, pode ser potencialmente fatal. No entanto, a evidência científica que sustenta essa alegação é complexa e controversa.

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A dipirona, criada em 1920 pela empresa alemã Hoechst AG, é vendida sob várias marcas, como Novalgina, Dorflex e Neosaldina. Seu mecanismo de ação é ainda motivo de debate, mas a teoria predominante sugere que ela inibe uma molécula inflamatória conhecida como COX, aliviando a inflamação associada à febre e à dor.

A proibição da dipirona em países como Estados Unidos, Japão e partes da União Europeia foi baseada em estudos que sugeriam um risco de agranulocitose associado ao medicamento. No entanto, esses estudos também levantaram questionamentos, já que muitos deles não diferenciaram adequadamente entre a dipirona e uma substância similar chamada aminopirina.

Um estudo importante, conhecido como Estudo Boston, analisou dados de milhões de pessoas em vários países e encontrou uma incidência baixa de agranulocitose em relação ao uso de dipirona. Isso levanta a questão: por que a disparidade de resultados? Especialistas apontam para fatores como mutações genéticas, dosagens elevadas e uso prolongado como influências no risco de agranulocitose.

No Brasil, a dipirona também não está isenta de debates. O Latin Study, uma pesquisa abrangente realizada na América Latina, identificou uma taxa relativamente baixa de agranulocitose em relação ao uso de dipirona. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) promoveu um painel de avaliação de segurança em 2001, concluindo que a eficácia da dipirona é inquestionável e que seus riscos são baixos.

Apesar da controvérsia internacional, a dipirona continua sendo amplamente utilizada no Brasil e em outros países, como Índia, Alemanha e Argentina. A indústria farmacêutica defende sua segurança quando usada conforme as orientações médicas, e a automedicação excessiva é desencorajada.

A história da dipirona revela um cenário complexo onde evidências científicas, regulamentações e percepções culturais se entrelaçam. Enquanto no Brasil o medicamento é um aliado comprovado contra febre e dor, sua proibição em outros lugares destaca a necessidade contínua de investigação e debate sobre seus efeitos e segurança. Como sempre, a orientação médica e a cautela são fundamentais ao utilizar qualquer medicamento.

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