O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu seu primeiro voto no plenário físico da corte, expressando seu apoio à criação do juiz das garantias, um instrumento que visa dividir a responsabilidade nos processos criminais entre dois juízes. Zanin argumentou que essa medida tornaria o sistema penal brasileiro mais imparcial e independente, contribuindo para combater injustiças e preconceitos raciais e sociais que frequentemente afligem o sistema de justiça.
O juiz das garantias, proposto como um passo crucial para aprimorar o sistema de justiça criminal, atribui funções distintas a dois magistrados. Enquanto um juiz supervisiona as diligências de investigação, o outro é responsável por julgar o réu. O principal objetivo é evitar que o juiz responsável pela investigação seja influenciado por preconceitos ou visões pré-concebidas ao conduzir o processo.
Zanin ressaltou que a imparcialidade do juiz é um princípio fundamental no processo penal e que é vital para a aplicação eficaz do garantismo no sistema legal. Ele defendeu um prazo razoável de 12 meses para a implementação do juiz das garantias, mas também aceitaria uma prorrogação por mais um ano, desde que devidamente fundamentada.
O julgamento, que já contava com uma expectativa sobre o posicionamento de Zanin devido à sua experiência no confronto com o ex-juiz e senador Sergio Moro durante o processo contra o ex-presidente Lula, foi interrompido após o voto do Ministro e deve ser retomado na próxima semana. Até o momento, o placar do julgamento está em 2 a 1 a favor da criação do juiz das garantias.
A criação do juiz das garantias é debatida no contexto de uma série de desafios orçamentários e estruturais enfrentados pelos tribunais estaduais, que expressaram preocupações quanto à viabilidade imediata da implementação do novo modelo. Alguns presidentes dos Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal solicitaram que, caso a mudança seja mantida, haja um período de ajuste para que possam realizar as modificações necessárias.
O relator dos processos sobre o tema, Ministro Luiz Fux, votou contra a implantação obrigatória do juiz das garantias, argumentando que essa decisão deve ser deixada a critério de cada estado, considerando as diferenças regionais e a carência de magistrados em um país de dimensões continentais.
Dessa forma, a implementação do juiz das garantias continua sendo um tema de discussão relevante no cenário jurídico brasileiro, envolvendo não apenas questões de imparcialidade e eficácia do sistema penal, mas também desafios logísticos e estruturais que precisam ser abordados para garantir sua efetivação.


