A Polícia Federal, em um relatório que fundamentou a Operação Lucas 12:2, desvendou um complexo esquema que teria como objetivo o "enriquecimento ilícito" do ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, uma organização criminosa teria sido instituída durante o ano passado e início deste ano, composta por ex-ajudantes de ordens de Bolsonaro e pelo pai de um deles, um general da reserva. Alega-se que a organização utilizava aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para levar presentes destinados a Bolsonaro para fora do país, os quais eram posteriormente negociados em casas de leilão ou lojas de penhores.
A ação da organização criminosa, de acordo com a Polícia Federal, resultou na venda de pelo menos dois itens valiosos: um relógio Patek Phillipe e um Rolex. Embora o segundo item tenha sido recomprado pelo advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef, o relatório aponta para um montante de 68 mil dólares pela venda do primeiro item. A PF estima que o esquema de desvio de joias tenha acumulado pelo menos R$ 1 milhão em ganhos provenientes da comercialização dos objetos.
Os detalhes da investigação indicam que os produtos eram desviados, e os valores de venda eram depositados nas contas dos envolvidos. O dinheiro era então sacado e entregue em espécie ao ex-presidente Bolsonaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ressaltou que esse tipo de estratégia pode ser uma maneira de ocultar a origem ilícita dos recursos.
A tese sustentada pela Polícia Federal argumenta que o grupo não repassava os presentes ao Gabinete Pessoal da Presidência da República (GADH/GPPR), que é responsável por analisar e determinar o destino adequado para tais presentes. Essa falha na entrega teria causado uma confusão sobre se os itens deveriam integrar o acervo público ou privado do ex-presidente. Enquanto alguns itens, por norma, deveriam ser incorporados ao acervo presidencial, outros poderiam ser destinados ao uso pessoal de Bolsonaro.
"A interpretação adotada pela GADH, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de legitimar um enriquecimento inaceitável por parte do Presidente da República, simplesmente por ocupar um cargo público, abre a possibilidade de influência do chefe de Estado por nações estrangeiras, por meio da oferta de bens de alto valor", destacou a Polícia Federal em seu relatório.

