Mato Grosso do Sul enfrenta uma preocupante realidade: 24.691 mil casos de violência contra a mulher foram registrados, mas somente 3.746 mil denúncias foram formalizadas. As estatísticas chocantes expõem a difícil trajetória das vítimas em denunciar a violência que sofrem. No rol das agressões, estão violências física, doméstica, sexual, psicológica, patrimonial e moral.
No 17º aniversário da Lei Maria da Penha, o advogado e coordenador do Curso de Direito da Uniderp, Caio Moreno Rodrigues Sampaio, analisa os motivos pelos quais muitas mulheres ainda relutam em denunciar a violência que sofrem. “A Lei Maria da Penha, como um pilar de debate fundamental na promoção dos direitos das mulheres, surgiu para fortalecer a proteção às vítimas. No entanto, muitas vezes, elas se veem acuadas ou constrangidas ao denunciar. O medo de sofrer represálias mais severas por parte do agressor e a exposição pública dos fatos para familiares, autoridades ou grupos de apoio contribuem para esse receio”, observa.
A Lei Maria da Penha desempenhou um papel crucial ao salvar vidas que, de outra forma, poderiam ser perdidas. Ela assegurou direitos de proteção às mulheres em situações de violência doméstica e familiar, fortalecendo sua autonomia. De acordo com o advogado, a resposta mais eficaz para alterar esse cenário de violência é a prevenção e a educação. “Trabalhar em prol dos direitos de todos os cidadãos, especialmente das mulheres nesse contexto, é fundamental para mudar a mentalidade de uma sociedade permeada por pensamentos e costumes machistas. Esse processo vai além de garantir segurança; é um processo educacional sobre igualdade de gênero e a importância de cuidar das futuras gerações”, alerta Sampaio.
A conscientização sobre a importância de denunciar é crucial para romper o ciclo da violência, mas a prevenção é um fator ainda mais essencial. “Nós não apenas precisamos reagir a casos de violência; é urgente agir de maneira proativa para evitar que esses casos ocorram. Isso começa com a educação e a conscientização sobre o respeito e a igualdade entre os gêneros”, ressalta Sampaio.
Serviço - Os telefones 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 190 (Polícia Militar) são meios seguros para denunciar.

