O mercado financeiro registrou forte movimentação nesta quinta-feira (23), com valorização do dólar frente ao real e queda na Bolsa brasileira. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,00, em alta de 0,58%, enquanto o Ibovespa recuou e fechou em baixa.
O movimento foi impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, o que aumentou a cautela dos investidores em relação a ativos de maior risco.
Pressão externa impacta câmbio e Bolsa
O principal índice da B3 encerrou o pregão em queda de 0,78%, aos 191,3 mil pontos. Já o avanço do dólar reflete um cenário global mais instável, marcado por incertezas quanto a um possível acordo entre as potências e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
O ambiente de maior aversão ao risco levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros, fortalecendo a moeda americana no mercado internacional.
Alta do petróleo intensifica preocupações
No mesmo contexto, o preço do petróleo registrou elevação relevante. O barril do tipo Brent, referência global, avançou 3,10%, sendo negociado a US$ 105,07 para contratos futuros. Já o West Texas Intermediate (WTI), parâmetro nos Estados Unidos, subiu 3,11%, alcançando US$ 95,85.
Outro indicador que mostrou fortalecimento do dólar foi o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a outras divisas fortes. Ele apresentou leve alta, indicando valorização global da moeda norte-americana.
Análise de mercado
Para o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, o comportamento do câmbio brasileiro acompanhou a deterioração do cenário internacional, influenciado diretamente pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“A alta do petróleo — novamente acima de US$ 100 — reforçou o prêmio de risco global associado ao Estreito de Ormuz, elevando preocupações inflacionárias e pressionando as expectativas de política monetária”, diz o especialista.
Ele destaca ainda que houve aumento na procura por títulos da dívida americana, considerados mais seguros, o que contribuiu para a valorização do dólar. “O movimento refletiu uma recomposição de mais posições defensivas, com o câmbio reagindo diretamente ao aumento da aversão a risco vindo do cenário geopolítico ainda incerto”, afirma.


