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ECONOMIA

há 3 meses

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Alta do diesel pressiona economia e governo aciona PF para investigar preços

Após zerar impostos federais, gestão de Luiz Inácio Lula da Silva suspeita de cartel no setor; estados resistem a reduzir ICMS

A escalada no preço dos combustíveis, especialmente do diesel, acendeu um alerta no governo federal e abriu uma nova frente de tensão entre União e estados. Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor investiguem possíveis práticas ilegais no mercado, como a formação de cartel para elevar preços.

A medida ocorre após o governo anunciar a suspensão de impostos federais — como PIS e Cofins — sobre o diesel, numa tentativa de conter os impactos da alta internacional do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio. Apesar disso, o preço do combustível segue pressionado, levantando suspeitas de que a redução tributária não estaria sendo repassada ao consumidor final.

Alems

De acordo com informações de bastidores, serviços de inteligência identificaram indícios de que distribuidoras ou redes de postos podem estar reajustando valores de forma coordenada, o que é considerado crime contra a ordem econômica. A investigação deve apurar em qual etapa da cadeia ocorre a possível irregularidade.

O aumento do diesel preocupa o governo não apenas pelo impacto direto no bolso do consumidor, mas também pelos efeitos em cadeia na economia. O combustível é essencial para o transporte de cargas, e sua alta pode encarecer o frete, pressionando os preços de alimentos e produtos básicos, além de influenciar diretamente os índices de inflação.

Em ano eleitoral, o tema ganha ainda mais relevância. Auxiliares do presidente avaliam que a alta dos combustíveis pode comprometer o cenário econômico, dificultar a redução dos juros e afetar a popularidade do governo.

Enquanto isso, governadores resistem ao apelo do Planalto para reduzir o ICMS sobre os combustíveis. O argumento é que a medida pode gerar perdas significativas de arrecadação e não garante queda efetiva nos preços ao consumidor, já que parte da redução pode ser absorvida pela cadeia de distribuição.

Cenário em Mato Grosso do Sul

No centro desse debate está o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), atualmente presidido por Flávio César Mendes de Oliveira, integrante do governo Eduardo Riedel. A entidade comunicou ao governo federal que os estados não irão aderir à proposta de redução do ICMS sobre o diesel.

Em nota, o comitê argumenta que não há evidências de que cortes tributários resultem, de fato, em redução de preços para o consumidor final. Segundo o posicionamento, parte significativa dessas reduções costuma ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda.

O grupo também alerta para os impactos fiscais da medida. De acordo com o Comsefaz, o ICMS sobre combustíveis representa cerca de 20% da arrecadação estadual, e novas reduções podem comprometer o financiamento de áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública.

Dados apresentados pela entidade indicam ainda que mudanças tributárias recentes já provocaram perdas acumuladas de bilhões aos estados nos últimos anos, sem retorno proporcional para a população.

Mesmo com a redução dos impostos federais, o diesel segue em alta em diversas regiões, incluindo Campo Grande, onde o preço já se aproxima de R$ 8 em alguns pontos.

Diante desse cenário, o embate entre União e estados deve se intensificar, enquanto o governo federal amplia a fiscalização sobre o setor e tenta conter os impactos econômicos da alta dos combustíveis.

 

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