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INTERNACIONAL

há 3 meses

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Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e Irã alerta para barril a US$ 200

Ataques a navios no Golfo Pérsico e tensão no Estreito de Ormuz elevam temores de crise global de energia enquanto confrontos entre Irã, EUA e Israel se intensificam

O governo do Irã afirmou que o mercado internacional deve se preparar para a possibilidade de o petróleo atingir US$ 200 por barril, enquanto forças iranianas realizaram ataques contra navios mercantes nesta quarta-feira (11). Diante da escalada do conflito e do impacto nos mercados, especialistas do setor energético discutem a liberação de grandes volumes de petróleo das reservas estratégicas para tentar conter a alta dos preços.

A guerra começou há cerca de duas semanas, após ofensivas aéreas conduzidas pelos Estados Unidos em conjunto com Israel contra alvos no Irã. Desde então, os confrontos se intensificaram e já deixaram aproximadamente 2 mil mortos, em sua maioria iranianos e libaneses, à medida que os combates se expandiram para áreas do Líbano e provocaram forte instabilidade nos mercados globais de energia e transporte.

Alems

Mesmo após bombardeios intensos conduzidos por forças norte-americanas e israelenses, Teerã respondeu com ataques direcionados a Israel e a outros pontos do Oriente Médio, demonstrando capacidade de reação militar.

No Golfo Pérsico, três embarcações teriam sido atingidas recentemente. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que abriu fogo contra navios que não teriam obedecido a orientações militares.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a operação militar continuará pelo tempo necessário até que os objetivos estratégicos sejam alcançados. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou que o conflito pode não se prolongar por muito tempo, afirmando que restariam poucos alvos relevantes a serem atingidos no território iraniano.

Autoridades norte-americanas também alertaram para possíveis ameaças envolvendo drones iranianos próximos ao território dos Estados Unidos, embora Trump tenha minimizado o risco de ataques diretos em solo norte-americano.

O presidente afirmou ainda que forças dos EUA destruíram 28 embarcações iranianas utilizadas para lançar minas marítimas, e disse acreditar que o preço do petróleo deve recuar.

Washington também advertiu sobre a possibilidade de ataques contra infraestrutura energética ligada a empresas dos EUA no Iraque, incluindo regiões como o Curdistão iraquiano. De acordo com autoridades norte-americanas, grupos armados aliados ao Irã já teriam realizado ataques contra hotéis frequentados por cidadãos dos Estados Unidos.

Segundo autoridades dos EUA e de Israel, a campanha militar busca enfraquecer a capacidade do Irã de atuar militarmente fora de suas fronteiras e também neutralizar seu programa nuclear.

Petróleo dispara e bolsas recuam

O impacto da guerra foi imediato no mercado internacional de energia. O petróleo chegou a se aproximar de US$ 120 por barril no início da semana, recuou para a faixa de US$ 90, mas voltou a subir cerca de 5% diante do temor de interrupções no fornecimento.

Ao mesmo tempo, os principais índices de ações da bolsa de Wall Street registraram queda, refletindo a preocupação dos investidores com a escalada do conflito.

Governos da Turquia e de países europeus intensificaram apelos por uma solução diplomática, especialmente após novos ataques com drones e mísseis atingirem cidades e portos na região do Golfo e em Israel.

Um oficial militar israelense afirmou que ainda existe uma lista extensa de alvos estratégicos no Irã, incluindo bases de mísseis balísticos e instalações associadas ao programa nuclear.

Estreito de Ormuz sob tensão

Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Apesar de declarações de Trump defendendo que o tráfego marítimo continue normalmente, fontes indicam que o Irã teria instalado minas na região, dificultando a navegação.

Militares dos EUA também orientaram embarcações iranianas a manter distância de portos com presença naval do país. Em resposta, autoridades iranianas advertiram que qualquer ameaça a seus portos poderá transformar centros econômicos e comerciais da região em “alvos legítimos”.

Pressão política e resposta econômica

Com o preço dos combustíveis em alta em diversos países e o Partido Republicano enfrentando dificuldades nas pesquisas antes das eleições de meio de mandato nos EUA, o custo do petróleo passou a ter peso crescente nas decisões políticas relacionadas ao conflito.

Autoridades norte-americanas indicaram que empresas de energia dos EUA estudam ampliar a produção para tentar compensar a instabilidade no mercado internacional.

Mesmo assim, especialistas avaliam que essas medidas podem ter efeito limitado caso o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continue ameaçado.

Ameaça de choque econômico

O porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari declarou que o aumento do preço do petróleo seria consequência direta da instabilidade provocada na região.

Segundo ele, caso o cenário de tensão persista, o mercado pode enfrentar uma escalada expressiva no valor do barril.

Após bombardeios que atingiram um banco em Teerã, autoridades iranianas também afirmaram que instituições financeiras que mantenham relações com os EUA ou Israel podem se tornar alvos de retaliação.

Ataques no mar

Em um dos incidentes registrados no Golfo, um navio graneleiro com bandeira da Tailândia foi atingido e incendiado, obrigando a evacuação da tripulação. Três pessoas ficaram desaparecidas.

Outras duas embarcações — um porta-contêineres japonês e um graneleiro registrado nas Ilhas Marshall — também sofreram danos.

Com esses casos, chega a 14 o número de navios mercantes atingidos desde o início da guerra.

Funerais e tensão interna

No Irã, multidões participaram de funerais de comandantes militares mortos em ataques aéreos. Durante as cerimônias, manifestantes carregaram bandeiras e imagens do líder supremo Ali Khamenei e de seu filho, Mojtaba Khamenei.

Na capital Teerã, moradores relatam que já convivem com bombardeios noturnos frequentes, o que levou milhares de pessoas a deixar a cidade em direção a áreas rurais.

Mesmo com o aumento da tensão, não há sinais de grandes manifestações contra o governo. O chefe de polícia iraniano, Ahmadreza Radan, alertou que qualquer protesto poderá ser tratado como ameaça à segurança nacional.

Enquanto isso, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, reforçou que a ofensiva militar seguirá “pelo tempo que for necessário” até que Israel considere seus objetivos alcançados.

Com informações da EBC

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