O mercado financeiro brasileiro abriu esta quarta-feira (4) em movimento de recuperação, após dois dias de forte turbulência. O dólar, que havia atingido R$ 5,34 nos últimos pregões, passou a cair e era negociado a R$ 5,22 por volta das 10h40, em baixa de 0,85%. No mesmo horário, o principal índice da Bolsa brasileira registrava valorização superior a 1%.
No exterior, o índice DXY — que compara o desempenho da moeda dos Estados Unidos frente a uma cesta de seis divisas relevantes, como euro, iene e libra — recuava 0,24%, aos 98,82 pontos.
Bolsa tenta recuperação
Na B3, o Ibovespa iniciou o dia em alta, após ter acumulado perdas expressivas na véspera. Às 10h50, o indicador subia 1,13%, aos 185,1 mil pontos. Mais cedo, chegou a atingir 186,3 mil pontos, mas perdeu parte do fôlego ao longo da manhã, passando a oscilar em trajetória mais moderada.
O ambiente de maior tranquilidade refletiu, sobretudo, o comportamento do mercado internacional de petróleo, que tem sido o principal vetor de volatilidade nos últimos dias.
Petróleo perde força
Depois de disparar mais de 8% na sessão anterior — e encerrar com avanço próximo de 4%, a depender do vencimento dos contratos — o petróleo apresentou viés de queda nesta manhã. O barril do tipo Brent, referência global, recuava 0,88%, cotado a US$ 80 nos contratos para maio.
No início da semana, a commodity chegou a tocar US$ 84, acumulando valorização aproximada de 12% em dois dias — o maior salto desde 2020.
A redução das tensões ocorreu após a divulgação de que autoridades iranianas teriam procurado interlocutores em Washington para apresentar uma “oferta secreta” com vistas ao encerramento do conflito no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã. A informação foi publicada pelo jornal The New York Times e ajudou a amenizar o clima de aversão ao risco nos mercados globais.
Óleo e gás também podem ser afetados
Conforme o Pix News já havia noticiado, o aprofundamento da guerra no Oriente Médio pode provocar impactos relevantes no setor de óleo e gás. Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) alertou que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz teria potencial de alterar significativamente o fluxo global de energia.
Pelo corredor marítimo transitam diariamente cerca de 25% do petróleo exportado no mundo, além de volumes expressivos de gás natural provenientes de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã. Para a entidade, bloqueios ou ataques à infraestrutura da região poderiam comprometer o abastecimento de grandes economias asiáticas, como China, Índia e Japão.
“A perda de competitividade dessas economias e a pressão sobre os preços do petróleo e gás natural são consequências diretas caso as hostilidades se prolonguem.”
Nesse contexto, o IBP avalia que o Brasil pode se posicionar como fornecedor estratégico, destacando-se por oferecer “um petróleo de excelente qualidade, com baixo teor de enxofre e baixa emissão de carbono”. Atualmente, o país ocupa a nona posição entre os maiores exportadores mundiais e direciona cerca de 67% de seu petróleo exportado ao mercado asiático.
A entidade também defende a manutenção de investimentos contínuos em exploração e produção, inclusive em novas fronteiras como a Margem Equatorial, “para a garantia da segurança energética, aumento da oferta exportadora e para se evitar que o país volte à condição de importador de petróleo na próxima década.”


