A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro, informou nesta quinta-feira (5) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O saldo positivo representa um crescimento de 85,8% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o resultado havia sido de US$ 2,34 bilhões.
O desempenho de janeiro de 2026 é o segundo melhor da série histórica para o mês, iniciada em 1989, ficando atrás apenas do resultado observado em 2024, quando o superávit alcançou US$ 6,2 bilhões.
Exportações sobem e importações recuam
De acordo com os dados oficiais, o resultado foi impulsionado pela combinação de aumento das vendas externas e redução das compras do exterior. No mês passado, as exportações somaram US$ 25,15 bilhões, com alta de 3,8% na média diária, enquanto as importações atingiram US$ 20,1 bilhões, registrando queda de 5,5%, também na média por dia útil.
Entre os principais produtos exportados em janeiro, o destaque foi a carne bovina, que alcançou US$ 1,3 bilhão, com crescimento de 42,5%. Outros itens relevantes foram:
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Óleos brutos de petróleo: US$ 4,3 bilhões, com queda de 7,8%;
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Minério de ferro: US$ 2,05 bilhões, recuo de 8,6%;
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Café não torrado: US$ 1,01 bilhão, retração de 23,7%;
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Celulose: US$ 957 milhões, queda de 6,1%.
Efeitos do tarifaço norte-americano
Mesmo com o avanço do superávit total, o comércio com os Estados Unidos seguiu pressionado pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano. As exportações brasileiras para os EUA recuaram 25,5%, passando de US$ 3,22 bilhões em janeiro de 2025 para US$ 2,4 bilhões no mesmo mês deste ano.
As importações de produtos norte-americanos também diminuíram, somando US$ 3,07 bilhões, queda de 10,9% frente ao valor registrado um ano antes. Com isso, a balança bilateral com os Estados Unidos fechou janeiro com déficit de US$ 668 milhões.
O chamado tarifaço, anunciado pelo presidente Donald Trump, começou a ser implementado de forma gradual a partir de abril, com alíquotas mais elevadas para alguns setores, como aço e alumínio. Em agosto, foi aplicada uma sobretaxa de 50% especificamente ao Brasil, embora uma lista com mais de 700 exceções tenha preservado produtos como suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
Diversificação de mercados ameniza impacto
Com o avanço das negociações diplomáticas e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os Estados Unidos retiraram, em novembro, a sobretaxa de outros itens brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí e cacau. Ainda assim, parte da pauta exportadora segue sujeita a tarifas adicionais.
Segundo o governo, o desempenho da balança comercial em janeiro só foi possível porque o Brasil ampliou as vendas para outros mercados, compensando parcialmente as perdas com os EUA. Houve crescimento das exportações para China, México e Oriente Médio, enquanto se registrou retração nos embarques para a União Europeia e para o Mercosul.
As variações por região foram as seguintes:
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China: alta de 17,4%, para US$ 6,47 bilhões;
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Mercosul: queda de 13,5%, para US$ 1,45 bilhão;
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União Europeia: retração de 6,2%, para US$ 3,92 bilhões;
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México: crescimento de 24,4%, para US$ 411 milhões;
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Oriente Médio: aumento de 31,6%, para US$ 1,78 bilhão.


