Apesar de a Petrobras ter promovido sucessivas reduções no preço da gasolina ao longo do último ano, os motoristas de Campo Grande e do interior de Mato Grosso do Sul continuam pagando mais caro pelo combustível nos postos. Dados oficiais indicam que, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o valor médio do litro subiu tanto na Capital quanto no Estado, em sentido oposto ao movimento adotado pela estatal nas refinarias.
Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que, em Campo Grande, o preço médio da gasolina passou de R$ 5,75 no início de janeiro do ano passado para R$ 5,89 na semana encerrada em 24 de janeiro deste ano, uma alta de R$ 0,14, equivalente a 2,4%. No mesmo período, a média estadual avançou de R$ 5,96 para R$ 6,08, acréscimo de R$ 0,12 por litro.
Redução nas refinarias não chega às bombas
Enquanto o preço ao consumidor subia, o valor da gasolina A vendida pela Petrobras às distribuidoras seguia trajetória inversa. Em janeiro de 2025, o preço médio nas refinarias era de R$ 3,02 por litro. Com os cortes anunciados ao longo do ano e a nova redução que entra em vigor a partir desta terça-feira (27), o valor cairá para R$ 2,57, uma redução acumulada de R$ 0,45, ou cerca de 15%.
Somente entre janeiro e dezembro de 2025, a estatal reduziu o preço em R$ 0,31. Agora, o corte será ampliado em mais R$ 0,14 por litro. Ainda assim, esse alívio não foi plenamente percebido pelo consumidor final, sobretudo por causa da elevação da carga tributária no período.
Desde janeiro do ano passado, o ICMS incidente sobre a gasolina teve aumento de R$ 0,20 por litro, neutralizando parte significativa da queda promovida pela Petrobras nas refinarias. Com isso, mesmo com o recuo no preço de venda da estatal, o valor final ao consumidor permaneceu pressionado.
Nota da Petrobras e efeito limitado
Em nota oficial, a Petrobras informou que o novo corte passa a valer a partir de hoje.
“A partir de 27/01, a Petrobras reduzirá seus preços de venda de gasolina A para as distribuidoras em 5,2%. Dessa forma, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14 por litro”, diz o comunicado.
A estatal também destacou o recuo acumulado desde o fim de 2022.
“Desde dezembro de 2022, os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,50/litro. Considerando a inflação do período, esta redução é de 26,9%”, acrescentou a empresa.
Mesmo com o novo anúncio, a expectativa do setor é de que o impacto nas bombas seja limitado.
Repasse parcial ao consumidor
Segundo análise do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), a redução promovida pela Petrobras não chega integralmente ao consumidor final. Para a entidade, ao considerar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, o impacto estimado no preço médio da gasolina vendida nos postos de gasolina deve ser de cerca de R$ 0,09 por litro.
Isso significa que menos da metade do corte de R$ 0,14 anunciado pela estatal tende a ser refletido diretamente nas bombas. O Sinpetro-MS ressalta ainda que o repasse pode variar conforme a política de preços de cada distribuidora e de cada posto, gerando diferenças entre regiões e até dentro da mesma cidade.
Outros combustíveis
No mesmo comunicado, a Petrobras informou que, por enquanto, manterá inalterados os preços do diesel para as distribuidoras. Ainda assim, a estatal ressaltou que o combustível acumula queda relevante quando considerada a inflação.
“Para o diesel, neste momento, a Petrobras está mantendo seus preços de venda para as companhias distribuidoras. Desde dezembro de 2022, a redução acumulada nos preços de diesel para as companhias distribuidoras, considerando a inflação, é de 36,3%”, informou a empresa.
Dados da ANP indicam que, em Mato Grosso do Sul, o diesel comum recuou de R$ 6,03 em janeiro de 2025 para R$ 5,96 na semana passada. O diesel S10 também apresentou queda, passando de R$ 6,16 para R$ 6,07 no mesmo intervalo.
Já o etanol seguiu caminho oposto. O biocombustível subiu 7,14% em um ano, saindo de R$ 3,92 em janeiro de 2025 para R$ 4,20 na semana entre 18 e 24 de janeiro deste ano.
O cenário reforça que, além das decisões da Petrobras, fatores como tributação, custos logísticos e margens de distribuição seguem determinantes para o preço final pago pelo consumidor.


