O Brasil pretende abrir negociações com a China para minimizar os efeitos da tarifa adicional de 55% aplicada às exportações de carne bovina que ultrapassarem as cotas definidas pelo governo chinês. A proposta brasileira é assumir parte das cotas de países que não conseguirem utilizar integralmente os volumes autorizados, reduzindo assim o impacto da medida sobre o setor.
A salvaguarda passou a valer na quinta-feira (1º) e terá duração de três anos, com vigência até 31 de dezembro de 2028. Pelo mecanismo, qualquer exportação acima do teto estabelecido para cada país será automaticamente tarifada.
Negociação com Pequim
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, explicou que as cotas foram definidas de forma padronizada, com base na participação dos países no mercado chinês nos últimos três anos. Segundo ele, a intenção do governo brasileiro é discutir a redistribuição desses volumes.
“As cotas foram estabelecidas de maneira igual para todo mundo. O que vamos tratar com a China é se um país tem uma cota e não conseguir cumprir, o Brasil pode assumir essa cota. Os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram à China em 2025”, afirmou o ministro. As tratativas, de acordo com Fávaro, devem avançar ao longo de 2026.
Estratégias alternativas e novos mercados
O ministro destacou ainda que o Brasil vem se preparando para cenários de maior restrição comercial, com a abertura de 29 novos mercados para a carne bovina, entre eles México, Vietnã e Malásia. “O que superar a cota de 1,106 milhão de toneladas vamos remanejar a outros mercados. Estamos confiantes na abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira em março do ano que vem”, disse.
Fávaro também afirmou que existe a possibilidade de o país recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a salvaguarda imposta pela China.
Limites definidos pela salvaguarda
Para 2026, o limite de exportação brasileira à China será de 1,106 milhão de toneladas. Em 2027, a cota sobe para 1,128 milhão de toneladas e, em 2028, para 1,154 milhão de toneladas. Outros grandes fornecedores também foram incluídos na medida, como Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, cada um com volumes máximos específicos.
Dados da balança comercial mostram que a China foi o principal parceiro comercial de Mato Grosso do Sul em 2025, com importações expressivas de soja, celulose e carne bovina, o que reforça a relevância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro.


