Ao completar 48 anos, o Mato Grosso do Sul consolida sua vocação para além do agronegócio, diversificando sua economia e expandindo sua presença internacional. A nova fronteira de desenvolvimento passa pela economia criativa, com destaque para segmentos como a mineração sustentável, o artesanato de tradição indígena e a moda de luxo com identidade pantaneira.
Minerais com identidade sul-mato-grossense
Na capital, a empresa Bella Pedra Cristal, comandada por Júnior Franco Roza, exemplifica o avanço do Estado na cadeia mineral. Reconhecida pela atuação completa — da prospecção à comercialização responsável — a mineradora tem se destacado no mercado internacional com pedras como ametista, jaspe e a exclusiva Calcita Millennium, extraída de jazidas em Bodoquena e Bela Vista.
"A calcita é um mineral com mais de mil aplicações, desde a ração animal até a indústria farmacêutica, de tintas e cimento. Nossa versão é única no mundo por suas manchas geométricas causadas por metais naturais como ferro, alumínio e até ouro", explica Roza. A empresa hoje exporta para Japão, Portugal, Suíça e Dubai, graças ao apoio de programas como o Exporta Mais, do Sebrae/MS.
Roza, que iniciou no ramo influenciado pelo avô em Ponta Porã, acredita no potencial do Estado para crescer no setor. “Conhecemos menos de 2% do nosso subsolo. Minas Gerais, por exemplo, já mapeou mais de 70% de seu território”, compara.
Moda pantaneira que conquista o mundo
Inspirada na riqueza natural e cultural do Pantanal, a marca Zanir Furtado nasceu com um propósito ousado: transformar vidas por meio da moda de luxo. Criada por Zanir Furtado, a grife leva o nome da fundadora, natural de Rio Negro, e tem como diferencial o uso de couro bovino com acabamento artesanal, ferragens banhadas a ouro e design autoral.
Lançada oficialmente em 2020, a marca já desfilou na Semana de Moda de Paris, está presente em showrooms de São Paulo e prepara a abertura de sua primeira loja física em Campo Grande. A internacionalização começou em 2021 com o apoio do Sebrae e hoje a marca exporta para diversos países.
“Nosso objetivo sempre foi o mundo. Sabíamos que, para manter uma indústria de luxo no interior do MS, era preciso pensar grande”, destaca Zanir, que também capacita mulheres de sua cidade natal para atuar na produção.
O reconhecimento veio de forma simbólica em 2025, quando uma bolsa da marca foi entregue à princesa Kako, do Japão, durante visita oficial. A peça foi usada pela princesa e agora integra o acervo da família imperial japonesa.
Fibra Morena: do artesanato local à COP30
Outra referência da economia criativa do Estado é a Fibra Morena, iniciativa liderada por Lucimar Maldonado, que se tornou um case internacional de sucesso no artesanato sustentável. A empresa, com mais de duas décadas de atuação, trabalha com fibras naturais como taboa, buriti e bananeira, transformadas em produtos decorativos e utilitários.
Com apoio de instituições como Sebrae, Fundação de Cultura de MS e a Prefeitura de Campo Grande, a Fibra Morena articula parcerias com mais de 30 artesãos — incluindo indígenas Terena e comunidades de Miranda e Jardim — e já exporta para países como Japão e Irlanda.
A trajetória da empresa ganhará projeção ainda maior com a participação na COP30, em novembro, como fornecedora oficial de presentes institucionais. Serão 100 exemplares do nicho “Bichos do Pantanal”, produzidos por artesãos ligados ao projeto.
"A economia criativa está mostrando que o artesanato sul-mato-grossense pode ser um vetor de desenvolvimento sustentável e geração de renda com identidade cultural", afirma Lucimar. A empresa também foi premiada no TOP 100 do Sebrae Nacional, sendo reconhecida entre as melhores práticas artesanais do Brasil.
Economia criativa: estratégia para o futuro
Para Luciana Azambuja Roca, superintendente de Economia Criativa da Setesc, o setor tem se consolidado como vetor estratégico de desenvolvimento socioeconômico no Mato Grosso do Sul.
“A economia criativa já é fonte de renda para milhares de famílias e carrega enorme potencial de internacionalização da nossa cultura, com produtos como artesanato, moda, literatura, música e audiovisual”, destaca.
Hoje, segundo o Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), o Estado conta com 6.690 artesãos ativos. Uma das metas do Governo é ampliar parcerias com países vizinhos — como Paraguai, Argentina e Chile — por meio do Corredor Bioceânico, para fortalecer o intercâmbio cultural e comercial.
Entre as iniciativas em andamento, estão:
- Elaboração do Panorama da Economia Criativa do MS
- Implementação de políticas públicas voltadas para qualificação profissional e apoio a pequenos negócios
- Estímulo à criação de feiras criativas em espaços públicos
- Incentivo à internacionalização de produtos com identidade cultural
Mato Grosso do Sul, 48 anos de transformação
O cenário que se desenha em Mato Grosso do Sul mostra um Estado que valoriza sua diversidade e investe no futuro com base em inovação, sustentabilidade e identidade regional. Da mineração à moda, do artesanato ao comércio exterior, MS amplia suas fronteiras com coragem, estratégia e criatividade — e mostra ao Brasil e ao mundo a força de um território em constante reinvenção.


