Em um cenário de diversificação das culturas de inverno, Mato Grosso do Sul registra um expressivo crescimento na produção de sorgo. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita do grão saltou de 237,4 mil toneladas na safra 2023/2024 para 456,6 mil toneladas em 2024/2025, praticamente dobrando em apenas um ano.
O avanço é resultado da ampliação da área plantada, que passou de 84,2 mil hectares para 125,1 mil hectares, um crescimento de 48,6%. A produtividade também subiu, de 2.819 quilos por hectare para 3.650 kg/ha, impulsionada pelo interesse dos produtores em alternativas mais adaptadas às condições climáticas e econômicas da região.
O sorgo se consolidou como importante alternativa ao milho em áreas com maior risco climático e na produção de etanol, especialmente com o fortalecimento da indústria local. A biorrefinaria Inpasa, instalada em Sidrolândia, já utiliza o grão como matéria-prima para fabricação de biocombustíveis e derivados, ampliando sua relevância na cadeia produtiva.
Com esse desempenho, o sorgo superou o trigo como principal cultura de inverno depois do milho. A área plantada com trigo caiu de 45,3 mil hectares para 30,8 mil hectares entre as duas últimas safras. Apesar do crescimento expressivo na produtividade do trigo, de 992 kg/ha para 2.532 kg/ha, a produção total estimada para a safra 2024/2025 é de 78 mil toneladas, bem abaixo do volume alcançado pelo sorgo.
O milho segue como a principal cultura da safrinha em Mato Grosso do Sul, com previsão de ocupação de aproximadamente 2,103 milhões de hectares e produção total estimada em cerca de 10,2 milhões de toneladas. No entanto, os altos custos de produção e a instabilidade climática vêm incentivando os produtores a apostar em culturas mais resistentes e de menor exigência hídrica e nutricional.
Além do sorgo, outras culturas de inverno também têm participação na safrinha sul-mato-grossense, como a aveia branca, cultivada principalmente na região sul do Estado, com destaque para municípios como Ponta Porã, Laguna Carapã, Dourados, Amambaí, Aral Moreira e Maracaju. A estimativa é de que a aveia ocupe cerca de 35 mil hectares na safra 2024/2025.


