Quinta, 9 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

17°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quinta, 9 Julho 2026

Mundo Carro

há 2 anos

A+ A-

DUCATI DIAVEL 1260S – A “DRAG BIKE” ITALIANA

Normalmente, as pessoas falam bastante sobre os carros que representam a tão famosa e cativante categoria dos “Muscle Cars”.

Alems

Tamanha é a popularidade dessa categoria que basicamente todo mundo fala dela, não se limitando somente à “turma” dos aficionados por carro. Não é raro ver crianças, adolescentes e adultos em geral, falando sobre e admirando essas máquinas brutas.

Mas e as motocicletas? Existem motocicletas que se enquadram nessa categoria?

Existe sim, mas na verdade, quando se trata das motocicletas que tem em sua construção o nítido apelo de moto de arrancada, a definição mais usada é de “Drag Bikes”

Curiosamente é que essa categoria de moto, não possuem a mesma popularidade do público em geral, e por vezes são esquecidas ou até mesmo pouco conhecidas por estas pessoas.

Mas pelos aficionados, não!!

As “Drag Bikes” estão por toda a parte e no Brasil, se popularizaram no início da década dos anos 1990, com a inesquecível YAMAHA V-MAX 1200.

Senhores, quem tem mais de 40 anos não se esquece nunca, da primeira vez que viu uma Yamaha dessas nas ruas.

Era simplesmente uma obra de arte (ainda é). E para os padrões da época, ostentar uma potência de 125 cavalos em um motor V4 de 1200 cilindradas, era algo incrível para a época.

E estou usando a Yamaha V-Max como exemplo, porque a história conta que o conceito de “Drag Bike” foi inaugurado justamente pela Yamaha e com a V-Max, lá nos idos de 1985.

Mas enfim, a moto da coluna desse mês é uma legítima “Drag Bike”, fabricada pela DUCATI e batizada de DIAVEL, que significa “Diabo”, claro.

Trata-se de uma motocicleta equipada com um motor de 2 cilindros em “L”, com cabeçote variável e desmodrômico (onde a abertura/fechamento das válvulas é controlado por um eixo movimentado por correias), que entrega 158 CV, com incríveis 12.9 kgfm de torque a 7.500RPM.

Referida motocicleta é 2021 e me foi cedida pela DUCATI CENTER CAMPO GRANDE, para uma bela manhã de experiência condutiva com essa bela máquina.

Mas chega de números e vamos às minhas impressões!

No design, eu particularmente acho a moto incrível em cada detalhe da sua construção. Como toda italiana, é uma motocicleta para se admirar cada “pedacinho”. E são esses belos pedacinhos que, de forma absolutamente fluida, forma um conjunto equilibrado e em absoluta harmonia com a proposta.

É uma motocicleta bonita de qualquer ângulo que se escolha observá-la.

Em cima, motor ligado e lá vamos nós para avaliar a experiência.

Na ergonomia, ainda antes de sair, percebo que meu 1,81m de altura não se acomoda muito bem na motocicleta. Me senti um pouco curvado para frente, situação que poderia mudar um pouco se eu mexesse na regulagem do guidão, que na configuração de fábrica, se apresenta um pouco baixo pra mim.

A moto não é desconfortável, mas acredito que o limite mais adequado para essa moto seria para um condutor que varie entre 1,70m e 1,75m de altura.

A posição da pilotagem é mesmo de uma “Drag Bike”, com o banco baixo (a moto inteira é baixa) e bem encaixado, as pedaleiras bem posicionadas na linha do quadril para dar mais controle e segurança, além do já mencionado guidão que obriga o condutor a se projetar mais pra frente, posição essa que tem como propósito o de manter o piloto sentado em cima da moto nas arrancadas mais brutas.

O entre eixos é relativamente curto e me chamou demais a atenção o ângulo do cáster das bengalas, que é bem fechado. Aliás, essas características, juntamente com o baixo centro de gravidade, diâmetro gigantesco do pneu traseiro e escalonamento de marchas que privilegiam as arrancadas, completam o “pacote Drag Bike” da motocicleta.

Os freios Brembo de última geração dispensam comentários, afinal, tudo que acelera tem de parar, né? E isso ela faz como ninguém! Aliás, tudo na Diavel é da marca Brembo, desde os manetes de freio e embreagem, passando pelas bombas hidráulicas, flexíveis, pastilhas, pinças e até os discos.

Mas, voltando ao que interessa: a Diavel gosta mesmo é de acelerar. E quando se fala na arrancada, percebe-se que a DUCATI DIAVEL “nasceu” pra isso!

Mas calma! Antes de falar da sua maior característica (as arrancadas), não posso deixar de descrever a experiência de conduzi-la no modo “passeio de domingo”, pois é assim que em sua maioria do tempo, essa motocicleta deverá ser conduzida na cidade.

Logo na saída da concessionária, ao entrar na Av. Afonso Pena, a primeira característica do estilo da moto logo me chamou a atenção, que é o peso da roda dianteira em manobras de baixa velocidade. Após 10 min com a moto, fui me acostumando com isso e logo as coisas ficaram mais fluidas.

O motor, embora seja “ignorante”, como em toda Ducati, me surpreendeu positivamente no que tange a possibilidade de ser conduzido em baixíssimas rotações, sem dar aqueles “pulos” característicos de outras motos da marca. A minha Ducati Multistrada V2S, que tem um motor de 950 cilindradas é ligeiramente mais “áspera” em baixíssimas rotações do que a DIAVEL, que tem 1260 cilindradas.

O torque do motor é incrível e, embora ele “apareça” nos 3.500 RPMs de forma satisfatória, é somente à partir dos 5.500 RPMs que ele vem de forma plena, literalmente empurrando o piloto pra trás. Pura emoção!

Dá pra imaginar esse torque de praticamente 13Kgfm sendo despejado através de uma transmissão por corrente (cuja perda é a menor possível) e “calçado” em um pneu de massivos 240mm de diâmetro? O piloto tem de se segurar pra não ficar pra trás.

E é justamente essa a diversão dessas motocicletas de arrancada! São feitas para despejar potência e emocionar.

Sobre o conforto, o banco é generoso (o do piloto, porque o banco do garupa é bem pequeno) e acomoda muito bem a lombar, além da espuma ser boa qualidade. Não é o banco mais confortável do mundo, mas está longe de ser ruim.

A suspensão é de bitola larga, do tipo invertida e o curso, como era de se esperar para um projeto desses, é bem curto, demonstrando que não é feito para absorver irregularidades mais agressivas.

O pneu traseiro, em virtude de ser tão largo, “copia” integralmente as irregularidades da via, mas tudo dentro da normalidade.

Ao fim do teste, concluo que não é uma motocicleta para qualquer um, tanto pela potência, como pela proposta.

Para a cidade, é linda, potente, segura, relativamente confortável chama a atenção por onde passa, com seu visual “diabólico”.

Embora os atributos acima concedam à Diavel plena capacidade de viajar com segurança e estilo, não pode-se negar que sua proposta natural é o uso urbano.

Em resumo, é uma devoradora de asfalto e faz isso com muita competência, elegância e estilo único, típicos das Italianas.

A Diavel reúne tecnologia, segurança, estilo e muito desempenho. Sem dúvida, uma bela máquina.

Deixo meus agradecimentos especiais ao Grupo Audi Center Campo Grande, nas pessoas do Cristiano Gionco e do consultor de venda Gil, por terem me cedido a unidade testada para esta avaliação.

Até a próxima, caros leitores!

(*) Bruno Romero - advogado e apaixonado pelo mundo dos motores

 

Veja também