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Mundo Carro

há 2 anos

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AS SERRAS DO SUL, DE MOTOCICLETA

Olá, leitores. O meu coração de motociclista antigo (nem tão antigo, na verdade) sempre teve algumas vontades que eu ainda não tinha realizado. Uma delas era a de fazer viagens longas.

Alems

Fui praticante de motocross e enduro entre os anos 2000 à 2014 e tive motocicletas de rua entre os anos 2003 e 2010.

Embora já tivesse relativa experiência nesse maravilhoso mundo das duas rodas, as viagens longas ainda eram algo a ser alcançado.

Em 2021, depois de um longo e rigoroso inverno sem motocicleta, voltei para o mundo das motos de rua, quando comprei uma Yamaha Tracer GT 900, que foi logo substituída pela Ducati Multistrada, uma moto que adoro e que atualmente possuo, na versão V2S, adquirida em julho desse ano.

E em janeiro de 2023, junto com alguns amigos (Samuel Motta, Cesar Ribeiro e Cristiano Simões), iniciamos as “negociações” (tanto em casa, quanto no trabalho) e, logo de cara, em nossa viagem inaugural, decidimos que iríamos “fazer” as principais Serras do Sul do País.

Avaliamos todas as opções de estrada, definimos o trajeto (que seria de oito dias), fizemos planos “a” e “b”, organizamos o que levaríamos em cada motocicleta, ajustamos câmeras, ferramentas, equipamentos de conveniência e tudo que achamos necessário para uma viagem de quase 3.700 km e que se realizaria entre os dias 23 à 30/09/2023.

Tudo acertado, partimos!

Dia 01 (Campo Grande-MS – Itapetininga-SP) – Conforme previamente combinado, às 05:00hs do dia 23, nos encontramos na frente do Residencial Damha para iniciar nosso primeiro deslocamento para Itapetininga, cidade Paulista distante 870km de Campo Grande.

Nesse primeiro dia pegamos muito calor durante o dia todo, com pico de 41 graus, o que demandou paradas em intervalos de no máximo 200km, para hidratar e refrescar, pois a sensação térmica dentro das roupas de pilotagem passava fácil dos 50 graus.

Dentro do planejado e sem nenhuma intercorrência, chegamos em Itapetininga por volta das 19:15hs, horário local, ávidos por um banho e uma boa noite de sono, pois no dia seguinte é que, de fato, a nossa viagem começaria.

Dia 02 (Itapetininga-SP – Curitiba-PR) – Nesse dia a viagem começou de verdade, pois logo depois de 55km rodados, estávamos na cidade de Capão Bonito-SP, onde se localiza o Portal de uma das estradas mais icônicas da região, batizada de “SERRA DO RASTRO DA SERPENTE”, que liga Capão Bonito à Curitiba pelas rodovias SP 250 e BR 476.

Paramos no bar “Porthal Rastro da Serpente”, ponto de encontro dos motociclistas que irão descer e dos que acabaram de subir a serra.

Sobre a estrada, referido trecho possui 265km e tem 1200 curvas. Isso mesmo, 1200 curvas em 265km, o que gera uma média de 4,5 curvas por quilômetro! FANTÁSTICO E SURREAL!

O trecho inicia com curvas mais abertas em uma estrada típica de serra leve, mas à medida que se aproxima do Estado do Paraná, as curvas ficam mais fechadas e a estrada apresenta a vegetação típica das florestas paranaenses, com muitos pinheiros e algumas araucárias, um cenário lindo e que complementa a hipnotizante sequência de curvas intermináveis.

E sim, as curvas hipnotizam a gente, como em uma espécie de “transe motociclístico”.

Nesse dia, o calor estava em algo em torno de 37 graus, mas a menos de 50 km de Curitiba, pegamos uma chuva forte que nos refrescou depois daquele belíssimo e quase mágico dia de pilotagem.

Como que um milagre do “Homem lá de cima”, a chuva parou totalmente na entrada de Curitiba, nos permitindo deslocar tranquilamente no momento de “rush” e voltou a cair somente quando já estávamos devidamente instalados no hotel.

 

E justamente por casa da chuva, ainda naquela noite do segundo dia, no reunimos no “lobby” do hotel para uma tomada de uma decisão importante sobre o dia seguinte.

É que no dia 03 da viagem, sairíamos de Curitiba e iríamos passar pela estrada mais esperada da viagem, a Serra da Graciosa, uma estrada incrustrada no meio da Mata Atlântica, com curvas extremamente fechadas e, em sua maioria do trajeto, ainda conservando o paralelepípedo como calçamento.

Mas tudo isso não é o atrativo dessa estrada? Claro que é, mas como disse acima, desde que havíamos chegado no hotel, a chuva havia voltado a cair e não dava sinais de que pararia.

E se tinha uma única coisa que a gente tinha certo receio era justamente a de descer a “Graciosa” com o chão de paralelepípedo completamente ensopado depois de uma noite inteira de chuva.

E referida preocupação advinha do fato de que os amigos Samuel, Cesar e o Cristiano estavam com as esposas na garupa. E com as motos literalmente carregadas de baús laterais, top cases e bolsas, além das esposas, claro, a situação era realmente de se preocupar.

Após alguma conversa, decidimos que iríamos até o portal no dia seguinte e que de lá, a depender de como o tempo estaria, tomaríamos nossa decisão.

Dia 03 (Curitiba-PR – Itapema-SC) – Pois bem, a manhã desse terceiro dia começou com uma forte neblina (daquelas bem tradicionais de Curitiba), acumulada com aquelas garoas que costumam “molhar bobo”, como diz o ditado.

Após o café da manhã, nos direcionamos para o Portal da Graciosa, há aproximados 25 km de Curitiba, localizado na “beira” da BR 116.

Ao chegarmos lá, ainda temerosos pelas chuvas do dia anterior, resolvemos que, ao invés de descer a “Estrada da Graciosa”, desceríamos a “Estrada Velha da “Graciosa”. Este trecho, ao invés de descer para a cidade de Morretes-PR, acaba por voltar para a BR “Régis Bittencourt” (BR 116), nos entornos de Curitiba.

O trecho, construído no século XVIII, é lindo e possui diversas casas antigas e paisagens incríveis.

É uma estrada que se deve fazer sempre que estiver por lá. As chacrinhas da região remetem aquelas paisagens de interior, com casas de madeira, pequenos açudes, animais pelo quintal...

Uma pintura!

Ao final do trecho, há pouco metros de ingressar de volta de BR 116, parei a moto, fiz sinal para o grupo estacionar e, sem a menor pretensão de virar “meme” durante a viagem, proferi a seguinte frase: Pessoal, quero fazer apresentar uma reflexão: estamos há 1200 km de casa, na entrada da Estrada da Graciosa “nova” e não sabemos quando (e se) iremos voltar aqui de moto. Eu sugiro considerarmos fazer o retorno na BR 116, voltar para até o Portal da Graciosa e, mesmo com neblina, garoa ou chuva, realizar o trajeto que idealizamos desde o começo e nos direcionarmos ao nosso destino (Itapema) através da cidade de Morretes”.

Acho que aquilo foi a pequeno pontapé que faltava para encorajar o resto do grupo a, mesmo com todas as ressalvas que esta estrada possui naquela condições climáticas, deixar falar mais alto o espírito de aventura. Não precisou de 10 segundos para que todos (inclusive as esposas na garupa) dissessem: “BORA”!

Acho que assim como eu, os amigos Samuel, Cesar e Cristiano vieram pensando sobre isso, durante o percurso, como se cada um estivesse somente esperando que o outro levantasse a idéia, rsrsr.

Assim, direcionamos nossas motos de volta para o Portal e descemos a Estrada da Graciosa sentido cidade de Morretes-PR.

Que estrada!!

Mesmo com chuva leve e uma neblina que nos limitava a visão em uns 30 metros à frente, foi uma das melhores experiências da viagem.

Até mesmo o paralelepípedo extremamente escorregadio não fora capaz de tirar o prazer inenarrável de atravessar aquela mágica estrada, incrustrada no meio da mata, com árvores centenárias, araucárias gigantes, hortênsias selvagens com um florido azul incrível e muita, muita curva sinuosa.

 

No fim, foi tudo perfeito e com certeza, se não tivéssemos insistido, estaríamos arrependidos para sempre.

Aliás, eu sempre tive o seguinte pensamento na minha cabeça: “Se está aqui, vai”! E lá estávamos.

Depois da extasiante experiência daquela manhã chegamos por volta de 13hs em Morretes e paramos na Ponte Velha para comer o famoso Barreado (prato típico). Após tanta expectativa criada sobre essa especialidade culinária, confesso que acabei por ficar levemente frustrado. Eu esperava um pouco mais, mas como o restaurante mais famoso estava fechado naquele dia, com certeza darei uma outra chance quando passar novamente em Morretes.

Após o almoço, ainda teríamos de descer para o litoral do Paraná para, na cidade de Guaratuba, que fica após a travessia da balsa.

Referida travessia fora feita debaixo de uma chuva leve, mas que se intensificou até próximo de Joinville-SC.

Após Joinville, o tempo melhorou e a viagem fluiu bem até próximo de Itapema, quando, em virtude de um acidente entre duas carretas, pegamos um congestionamento de mais de 30km na BR 101.

Nesse momento, vimos as vantagens de se viajar de moto, pois andamos o tempo todo no corredor entre os carros e caminhões, deixando pra trás todo aquele caos, até chegarmos em Itapema debaixo de uma chuva leve e insistente que voltou a cair sobre a gente.

Nos hospedamos no belíssimo apartamento de um dos amigos e, novamente, naquela noite, justamente me virtude do tempo, teríamos nova decisão para tomar.

A previsão do tempo para o dia seguinte era de muita chuva e até de um leve ciclone. E referido alerta valia não somente para a região de Itapema, mas se estendia por todo o litoral catarinense, alcançando inclusive nosso destino do quarto dia, a famosa e linda cidade de Urubici.

 

Debaixo daquela chuva que não dava sinal de cessar, nos reunimos para decidir de iríamos no dia seguinte para Urubici ou esperaríamos mais um dia, para o tempo dar uma melhorada.

Quando disse mais acima que virei “meme” da viagem, por causa da apresentação da minha reflexão às margens da BR 116, estava falando a verdade, rsrrs.

Depois de muito avaliar as previsões do tempo em diversos apps, alguém indagou se eu não tinha nenhuma reflexão para aquele momento (kkkk). Eu logo disse: “Tempo ruim por tempo ruim, eu acho que devemos seguir nosso roteiro. Chuva por chuva, a gente segue em frente e faz a nossa viagem do jeito que der”.

Curioso que pouco antes de nos reunirmos, a decisão que teríamos que tomar já rodeava meus pensamentos. Para minha surpresa, quando liguei para minha esposa Paula (a única que não estava na viagem) para ter notícias de casa, obviamente comentei sobre nossa situação do tempo. Para minha surpresa, recebi dela a opinião que me mostrou estar no caminho certo: “Meu amor, siga em frente. Faça a viagem de vocês, cuidando apenas para não se colocarem em risco de vida. Com certeza, será divertido”.

Aquela opinião fora, naquele momento, muito importante para mim, pois alinhava exatamente com o que eu pensava.

E assim decidimos!

Dia 04 (Itapema-SC – Urubici-SC) – Logo cedo, saímos com chuva de Itapema, sentido à Urubici, pela tumultuada BR 101.

Após uns 150 km, o tempo começou a abrir e o sol até ensaiou alguns raios no horizonte.

A viagem transcorreu muito bem e nosso destino do dia seria a subida da SERRA DO RIO DO RASTRO, considerada uma das estradas mais lindas do Brasil, localizada no Município de Lauro Muller, há 90km de Urubici.

Mas antes de iniciarmos a subida da serra, fomos agraciados pelas belíssimas paisagens das cidadezinhas de PEDRAS GRANDE e ORLEANS, localizadas às margens do Rio Tubarão, no pé da serra e com aquelas casinhas de madeiras, todas coloridas e muito bem cuidadas, típicas do interior do Estado de Santa Catarina. De encher os olhos! Andamos pela estrada literalmente embasbacados pela beleza daquele local.

Após chegarmos em Lauro Muller, um grande momento da viagem se aproximava e o tempo, embora estivesse nublado, não havia nenhum sinal de que iria chover. Depois de tanta água nos últimos dias, aquilo era um presente e tanto.

Após uma ultima parada para abastecimento, iniciamos a subida da SERRA DO RIO DO RASTRO.

Essa estrada, que faz parte de um trecho da rodovia SC-390, fora construída na década de 1950 e suas incríveis 284 curvas, liga o planalto serrano com o litoral de Santa Catarina, exibindo nos seus aproximados 24 km de extensão, subidas íngremes, curvas fechadas e mirantes espetaculares entre penhascos e montanhas.

O mirante localizado no seu topo, está há mais de 1460 metros de altitude e proporciona uma vista espetacular da estrada, sendo um dos cartões postais do estado de Santa Catarina.

Naquela oportunidade, paramos no mirante e mesmo a neblina que teimou em aparecer, ficamos por mais de 30 minutos contemplando mais aquela conquista e muito satisfeitos por termos mais uma vez, tomado a decisão certa ao seguirmos em frente com nossa viagem.

Dali para Urubici (nosso destino do dia), faltava apenas 90 km.

Chegamos em Urubici no final de tarde, por volta das 17:40hs e paramos direto no posto Serra Azul, um local icônico e ponto de encontro obrigatório entre os motociclistas que visitam a cidade.

Compramos souvenirs, tiramos fotos, curtimos o local e fomos para nossa hospedagem.

Naquela noite, no restaurante da pousada, com uma temperatura de 12 graus, jantamos ao redor da lareira, tomamos um vinho, brindamos nossa viagem e comemoramos o aniversário da Ana, a esposa do Cesar. Melhor fim de noite, impossível.

Dia 05 (Turismo em Urubici-SC) – O quinto dia da nossa viagem era de turismo em Urubici.

E como era uma viagem de moto, o turismo também seguia o mesmo padrão.

Logo cedo, direcionamos nossas motos para um dos locais mais famosos da região, a SERRA DO CORVO BRANCO, famosa por sua enorme fenda de aproximados 90 metros, cortada “à mão” por trabalhadores locais, obra que levou quase 20 anos para ser concluída.

A estrada, que um dia já teve algum tipo de pavimentação, hoje é basicamente de terra, com bastante pedras soltas.

Como não poderia deixar de ser, o Corvo Branco “entrega” curvas fechadas, íngremes e aquela típica visão de paisagens serranas.

O Corvo Branco é uma visita obrigatória para quem vai a Urubici.

Neste dia, ainda visitamos o MORRO DA IGREJA e o PARQUE DO MUNDO NOVO, com as famosas CACHOEIRA DO AVENCAL e CACHOEIRA DO MUNDO NOVO.

Nosso almoço, neste dia fora no indescritível restaurante Montez, onde experimentamos uma das mais incríveis sobremesas que já vimos, além de um almoço maravilhoso.

O jantar foi na Pousada das Flores, onde comemos o famoso Macarrão à Carbonara, com um bom vinho “Sulista” da região de São Joaquim.

E assim, terminamos mais um dia de viagem.

Dia 06 (Urubici-SC – Ponta Grossa) e Dia 07 (Ponta Grossa-PR – Nova Andradina-MS). Os dias 6 e 7, seriam apenas de deslocamento de volta pra casa.

Deslocamos de Urubici para Ponta Grossa-PR e na manhã desse dia, amanheceu com sol e céu azul, em Urubici, mas a temperatura era de 8 graus.

Que delicia viajar de moto nessa temperatura!

Concluímos que entre 8 e 13 graus é, literalmente, a melhor temperatura para se viajar de moto, pois a quantidade de roupas de proteção também serve para bloquear o frio, criando uma atmosfera “neutra”.

No dia 7, chegamos em Nova Andradina, onde pernoitamos na fazenda do meu sogro.

Mas nesse dia de ero deslocamento, eu vivi, particularmente, um momento inesquecível e que marcou bastante a minha viagem.

Era meio de tarde, por volta de 14:30hs, quando atravessamos a parte de baixo da barragem Engenheiro Sergio Motta, no município de Rosana-SP.

Pode parecer besteira para quem lê, mas durante aquela travessia, abri o capacete, fiquei em pé na moto e, durante aqueles quase 10 minutos, duas das minhas músicas preferidas tocaram na “playlist aleatória” que estava ouvindo através do intercomunicador do capacete.

Uma das músicas me despertaram lembranças que imediatamente me conectaram ao meu pai, que também era motoqueiro e que, em virtude do seu falecimento em 2018, ainda me gera muitas saudades. Éramos muito próximos e tivemos nossas aventuras de moto, juntos.

E aquela música, aquela luz batendo na paisagem lateral aos pés da barragem, o cheiro da água, o vento no rosto e a sensação de pilotar em pé (que particularmente, adoro), criaram uma atmosfera que, pra mim, coroou de forma absolutamente sublime a minha viagem.

Que momento!

De todos os momentos maravilhosos da viagem (e foram muitos), este ficará na minha memória pra sempre.

E de noite, ali na fazenda, nos demos realmente conta de que nossa viagem estava acabando.Que pena, mas precisávamos voltar para casa, pois a saudade da esposa Paula e dos quatro filhos (João, Lorenzo, Gabriel e Nina) já estava apertando.

Dia 08 (Nova Andradina-MS -Campo Grande-MS) – Nesse derradeiro dia, após um belíssimo churrasco na fazenda do sogro, pegamos nossas motos e voltamos para Campo Grande.

Ainda no posto de Nova Alvorada do Sul, após nossa ultima parada, nos abraçamos e nos despedimos, pois na entrada de Campo Grande, nos dividiríamos, cada qual tomando o rumo da sua respectiva casa.

E assim, chegou ao fim a nossa primeira longa viagem de moto, onde percorremos exatos 3.652 km e pilotamos por 51hs e 35 minutos.

Nem preciso dizer que na semana seguinte já estávamos falando sobre a próxima viagem, rsrsr.

Mas isso é assunto pra outro dia...

Não poderia deixar de agradecer a minha esposa Paula que, mesmo experimentando sentimento de medo ante ao fato de eu estar na estrada de moto, sempre me apoia, cuidando da casa e dos filhos, na minha ausência. Sem isso, nada disso seria possível.

Agradeço aos amigos Samuel e Raquel, Cesar e Ana, Cristiano e Amanda, pela companhia.

Até a próxima, caros leitores!

 

(*) Bruno Romero (advogado e apaixonado pelo mundo dos motores).

 

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