Materiais descartados durante o processo de extração de minerais metálicos podem ter potencial de aproveitamento na agricultura. O tema foi apresentado pela pesquisadora Magda Bergmann, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), durante o 52º Congresso Brasileiro de Geologia, realizado em Fortaleza. A palestra ocorreu na terça-feira (3).
A discussão abordou as possibilidades de uso de polpas e tortas de mineração, materiais resultantes do tratamento de minérios para extração de metais. A pesquisadora destacou que parte desses resíduos, atualmente acumulados em barragens de descarte, poderia ser aproveitada no setor agrícola, desde que passe por análises e tratamentos adequados.
Segundo Magda, esses materiais estão armazenados em grandes volumes, que chegam à ordem de milhões de toneladas. Alguns já apresentam granulometria compatível com a especificada para remineralizadores, produtos utilizados para melhorar as características dos solos.
A pesquisadora, no entanto, ressaltou que o aproveitamento exige cuidados. Os resíduos precisam ser devidamente caracterizados e estar livres de elementos potencialmente tóxicos antes de qualquer aplicação agrícola.
A proposta amplia o debate sobre economia circular na mineração, ao discutir alternativas para materiais que atualmente são tratados como descartes. O possível aproveitamento também depende de estudos que comprovem a segurança e as condições adequadas de utilização.
Pesquisas sobre agrominerais
A programação do congresso também contou com a apresentação de estudos sobre o potencial de uso de rochas na disponibilização de nutrientes para a agricultura.
A pesquisadora Simone Zwirtes apresentou uma investigação sobre a liberação de potássio e silício durante o processo de biointemperismo de rochas basálticas do Grupo Serra Geral, em São Paulo. O trabalho avaliou o comportamento desses elementos em um bioensaio agronômico com rochas moídas.
Outros estudos em geologia
O Serviço Geológico do Brasil também participou de apresentações sobre o potencial de ocorrência de minerais de terras raras no Pará, a formação de rochas e fósseis na Bacia Potiguar e a história geológica de áreas do Ceará e do Piauí.
Outro estudo discutiu como a interação entre lavas basálticas e água pode ter contribuído para a formação de cavidades posteriormente preenchidas por ametistas, originando geodos. Também foram apresentados trabalhos sobre a circularidade mineral em arranjos produtivos de opala, pedras, gemas e joias.
Além da programação científica, o SGB participou da reunião do Fórum de Coordenadores dos Cursos de Geologia. O encontro discutiu a formação de profissionais por meio do Programa de Residência de Iniciação Profissional em Geociências e a cooperação para o compartilhamento de dados pelo GeoColab.

