O avanço de casos de hantavirose em um navio de cruzeiro internacional colocou novamente a doença no radar das autoridades de saúde em diversos países e reacendeu o alerta também em Mato Grosso do Sul. Embora o Estado não registre casos confirmados desde 2019, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou nesta semana que acompanha um caso suspeito da doença em Campo Grande.
O paciente procurou atendimento inicialmente com suspeita de leptospirose, mas, devido à semelhança dos sintomas, o protocolo do Ministério da Saúde prevê investigação para outras doenças, incluindo a hantavirose.
A preocupação ocorre em meio à repercussão internacional de um surto registrado a bordo do navio MV Hondius, que navegava da Argentina em direção a Cabo Verde. Segundo autoridades internacionais, ao menos 11 pessoas apresentaram sintomas compatíveis com a infecção e três mortes foram confirmadas durante a viagem.
A hantavirose é uma doença viral rara transmitida principalmente pelo contato indireto com roedores silvestres infectados. A contaminação costuma ocorrer pela inalação de partículas presentes na urina, saliva e fezes dos animais, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados ou com acúmulo de sujeira.
De acordo com a SES, Mato Grosso do Sul mantém protocolos permanentes de vigilância epidemiológica e monitoramento laboratorial para doenças de potencial impacto à saúde pública.
A superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Domingues Castilho de Arruda, destacou que o Estado possui estrutura preparada para resposta rápida em casos suspeitos.
“Mato Grosso do Sul possui protocolos alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde, com ações integradas de vigilância epidemiológica, monitoramento laboratorial, capacitação das equipes de saúde e educação em saúde”, afirmou em nota divulgada pela pasta.
Segundo os dados do Ministério da Saúde, as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste concentram a maior parte dos registros da doença no Brasil, principalmente em áreas rurais e em locais ligados à atividade agrícola.
Entre os grupos mais expostos estão trabalhadores rurais, pessoas que realizam limpeza de galpões, depósitos, silos e imóveis fechados por longos períodos.
Os sintomas iniciais da hantavirose podem ser confundidos com os de uma gripe forte ou outras doenças infecciosas. Os principais sinais incluem febre, dores musculares, dor abdominal, fadiga intensa, náuseas e vômitos. Em quadros mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e comprometimento cardiovascular.
A SES orienta que a população evite acúmulo de lixo, restos de alimentos e entulhos próximos às residências. Também é recomendado armazenar grãos e rações em recipientes fechados e vedar frestas que possam facilitar a entrada de roedores.
Outra recomendação importante é não varrer ambientes com sinais de infestação. O correto é ventilar o local por pelo menos 30 minutos e utilizar pano úmido com solução desinfetante, evitando que partículas contaminadas se espalhem pelo ar.
Em situações de risco ocupacional, a orientação é utilizar equipamentos de proteção individual, como máscaras PFF3, luvas, avental e óculos de proteção.
Mesmo sem registros recentes confirmados, a SES afirma que mantém vigilância ativa e acompanhamento contínuo para identificação rápida de possíveis casos no Estado.


