A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) aprovou, nesta quinta-feira (23), o reconhecimento do estado de calamidade pública em Dourados, em razão do aumento expressivo de casos de chikungunya. A medida, validada por unanimidade, permite à prefeitura maior liberdade na gestão de recursos para intensificar o combate à epidemia.
A validade do decreto é de 90 dias, podendo ser encerrada antes, caso o cenário seja normalizado.
Medida emergencial diante do avanço da doença
A proposta tramitou em regime de urgência, motivada pelo crescimento acelerado da doença no município, com destaque para áreas indígenas. Durante a votação, o presidente da Casa, deputado Gerson Claro (PP), destacou a relevância da iniciativa, lembrando situações semelhantes enfrentadas durante a pandemia.
O deputado Zé Teixeira (PL) chamou atenção para as condições enfrentadas na região indígena, onde vivem cerca de 14 mil pessoas sem acesso à coleta regular de lixo — fator que contribui para a proliferação do mosquito transmissor.
"Como que esse tanto de gente mora em uma pequena área e, claro, produz lixo e não tem coleta? Conversei com o prefeito Marçal Filho na semana passada e realmente está difícil. Estão adiando consulta de câncer para atender a Chikungunya. Conversei com o senador Nelsinho Trad, que reforçou o pedido da atuação da Força Nacional diante do avanço da doença, porque já saiu da reserva e atinge toda a cidade de Dourados. São R$ 7 milhões empenhados para a cidade que estão aguardando liberação", ressaltou.
Ações de limpeza e apoio emergencial
Como resposta à crise sanitária, a prefeitura intensificou mutirões de limpeza, especialmente na Reserva Indígena. Em três dias, cerca de 20 toneladas de resíduos foram retiradas das aldeias Bororó e Jaguapiru. Desde o início das ações, em março, mais de 1,1 mil toneladas já foram recolhidas em diferentes regiões da cidade.
As equipes atuam com maquinário pesado e realizam limpeza em áreas consideradas críticas, incluindo margens de vias e comunidades vulneráveis.
A deputada Gleice Jane (PT) alertou para os impactos sociais e econômicos da doença, destacando o tempo prolongado de recuperação dos pacientes.
"Estamos sentindo na pele e vendo que as pessoas demoram semanas e até anos para se recuperar. Elas terão dificuldades para trabalhar. Se não tivesse uma ação rápida poderemos ter uma população adoecia, sem condição de trabalho, que dá demanda para indústria, para o comércio, para o INSS, enfim, que desorganiza tudo. Já falamos com o Governo Federal, temos uma preocupação muito grande, porque há previsão de ao menos dois meses ainda de contaminação alta. Passamos caixa de som pedindo para cuidar da limpeza das casas, porque o mosquito transmite dengue e a Chikungunya, pedimos aos professores para reforçar essa conscientização", disse.
Segundo a parlamentar, recursos federais já foram destinados ao município, incluindo R$ 2,3 milhões via Defesa Civil e R$ 1,3 milhão para assistência social, com distribuição de cestas básicas e repelentes.
Situação epidemiológica preocupa autoridades
Dourados soma 6.411 notificações de chikungunya, com 2.204 confirmações e milhares de casos ainda em análise. O município já registrou oito mortes, sendo a maioria em áreas indígenas, e mantém dezenas de pacientes hospitalizados.
No cenário estadual, Mato Grosso do Sul contabiliza 12 óbitos pela doença em 2026, representando mais da metade das mortes registradas no país neste ano.
Diante do quadro, autoridades reforçam o apelo para que a população elimine possíveis criadouros do mosquito, medida considerada fundamental para conter o avanço da epidemia.


