O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a quarta etapa da Operação Tromper e determinou a prisão do empresário Ueverton da Silva Macedo, conhecido como Frescura, apontado como um dos operadores do esquema de fraudes em licitações na Prefeitura de Sidrolândia. Ele havia deixado a prisão há cerca de cinco meses, após ter sido detido na terceira fase da investigação, em abril de 2024.
Nesta nova etapa, a prisão foi decretada após o aprofundamento das apurações conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), que identificou novos elementos relacionados à movimentação financeira do investigado.
Suspeita de estrutura para ocultação de recursos
Conforme divulgado pelo MPMS, há indícios de que Ueverton estaria “utilizando uma rede estruturada de apoio composta por pessoas físicas e jurídicas interpostas, com a finalidade de movimentar recursos financeiros, ocultar patrimônio e frustrar medidas judiciais de bloqueio e constrição patrimonial”.
O órgão detalhou ainda que “Conforme apurado, a estrutura investigada envolvia o uso de contas bancárias de terceiros, empresas formalmente registradas em nome de comparsas e a interposição de pessoas para a realização de pagamentos e movimentações financeiras em benefício do investigado e de sua família, inclusive durante período de segregação cautelar”.
Além do empresário, foram presos Juliana Paula da Silva, Gedielson Cabral Nobre, Evertom Luiz de Souza Luscero e Flaviana Barbosa de Souza. Ao todo, também foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Poder Judiciário após representação do MPMS.
“A operação, que também teve o apoio do Gaeco [Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado] decorre do aprofundamento das investigações relacionadas às fases anteriores da Operação Tromper e tem como objetivo apurar a prática do crime de lavagem de dinheiro, na modalidade de ocultação e dissimulação de bens, direitos e valores”, informou o MP.
Relatos envolvendo o PCC
Durante fases anteriores da investigação, um ex-servidor municipal mencionou, em delação premiada, possível ligação de Ueverton com o Primeiro Comando da Capital (PCC). No depoimento, ele afirmou: “Todo mundo tinha um vínculo de amizade ou de favor que devia pra ele ir lá. E o presídio que a gente ficou era uma unidade faccionada do PCC, o PCC comanda ali, aquela unidade. Então dava para ver que ele tinha muito contato com aquelas pessoas ali e aquilo me deixou atônito na época e falei para o meu advogado que não queria mais conversar, não queria mais nada, que queria só ficar no meu canto”.
O mesmo delator relatou ainda uma ameaça supostamente feita por Ueverton ao mencionar a possibilidade de colaborar com as autoridades: “No domingo, ele me chamou para conversar. Aí a gente foi caminhando pela quadra, só nós dois conversando, ele falou: ‘ó, vou ser bem honesto com você, se você tomar a decisão de fazer uma delação premiada, você pode ter certeza que antes da minha mãe chorar, a mãe que vai chorar vai ser a sua’”.
Histórico da Operação Tromper
A Operação Tromper teve início em maio de 2023, quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificou indícios de fraudes em contratos públicos e direcionamento de licitações em Sidrolândia. Em fases posteriores, foram cumpridos diversos mandados de prisão, incluindo o do então vereador Claudinho Serra.
Segundo o MPMS, o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 100 mil mensais, além de despesas pessoais pagas por meio de notas fiscais frias vinculadas a contratos firmados com o Executivo municipal.


