Quarta, 8 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

18°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quarta, 8 Julho 2026

Estado

há 4 meses

A+ A-

Operação do Gaeco cumpre 76 ordens judiciais e afasta servidores em municípios de MS

Operação Cartas Marcadas mira esquema de fraudes em licitações e contratos públicos em cinco cidades do Estado

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), a Operação Cartas Marcadas, que resultou no cumprimento de 76 mandados judiciais em cinco municípios de Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Entre as medidas determinadas pela Justiça estão 46 mandados de busca e apreensão, cinco afastamentos de servidores públicos, 22 proibições de contratar com o poder público e três suspensões de contratos administrativos em vigor.

Alems

Ação em Campo Grande

Na Capital, as equipes do Gaeco, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, cumpriram mandados em uma loja de materiais escolares e de escritório localizada na rua 14 de Julho, no bairro Vila Glória. O local teve o acesso temporariamente restrito durante a execução das ordens judiciais, enquanto documentos eram recolhidos.

O advogado do estabelecimento, Nilton Ribeiro Júnior, confirmou que a atuação dos agentes se limitou à busca e apreensão de documentos, mas afirmou não ter acesso a detalhes da investigação. Segundo ele, trata-se de mais uma decisão judicial relacionada a apurações em andamento em diferentes cidades do Estado.

Investigação aponta organização criminosa

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as investigações indicam a existência de uma organização criminosa estruturada para fraudar licitações e contratos públicos, com atuação principalmente nas prefeituras de Corguinho e Rio Negro. O grupo seria liderado por agentes políticos responsáveis por articular o esquema.

Ainda conforme o MP, servidores públicos integravam a organização e manipulavam procedimentos licitatórios para simular concorrência e direcionar contratos a empresas previamente escolhidas. O valor dos contratos sob investigação soma cerca de R$ 9 milhões.

Entre as irregularidades apuradas estão contratações diretas para compra de materiais de expediente por meio de dispensas supostamente irregulares e execução de obras públicas iniciadas antes da formalização dos contratos.

Provas e origem do nome da operação

O avanço das investigações ocorreu a partir da análise de dados extraídos de celulares apreendidos em operações anteriores, como Turn Off e Malebolge, que revelaram o modo de atuação do grupo e permitiram identificar os agentes políticos envolvidos.

O nome da operação faz referência a práticas previamente combinadas. “Cartas Marcadas” alude a um jogo manipulado, em que o resultado é definido antes mesmo do início, analogia usada pelo MP para descrever o direcionamento das contratações investigadas.

Apoio policial e histórico recente

A operação contou com o suporte do Batalhão de Choque (BPMChoque) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar. Desde o início do ano passado, o Ministério Público tem conduzido ações semelhantes em diversos municípios sul-mato-grossenses, incluindo Aquidauana, Água Clara, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia, Bonito, Jardim, Miranda, Itaporã e Campo Grande, todas relacionadas a suspeitas de corrupção e irregularidades na administração pública.
 

Veja também