Mato Grosso do Sul vem reforçando a vigilância da tuberculose no sistema prisional com o uso do raio-x portátil, tecnologia que permite realizar exames diretamente nas celas, solários e corredores das unidades. A estratégia integra o programa “Mais Saúde Prisional em Foco”, que realiza avaliação clínica, testagem e diagnóstico contínuo em diversos presídios do Estado.
Em outubro, o Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande, recebeu uma ação integrada com testes rápidos para HIV, hepatites B e C, sífilis, consultas médicas e odontológicas, vacinação e registro em prontuário eletrônico. Embora o foco tenha sido a triagem geral, o raio-x portátil segue como ferramenta essencial para identificar precocemente casos de tuberculose, com exames rápidos e sem necessidade de deslocamento dos internos.
Para a gerente de Saúde do Sistema Prisional da SES, Martha Goulart, a tecnologia eleva o padrão de vigilância. “Quanto mais rápido identificamos um caso, mais eficiente é o tratamento e maior é a proteção para a população privada de liberdade e para os trabalhadores do sistema prisional”, afirma.
O enfrentamento da tuberculose nas prisões está ligado ao projeto Tuberculose nas Prisões, coordenado pelos pesquisadores Mariana Croda e Júlio Croda, da UFMS e Fiocruz/MS. Iniciado em Dourados, o projeto realizou triagens em massa e, com financiamentos posteriores, expandiu suas ações a diversas unidades do Estado, incluindo a criação de uma unidade móvel de diagnóstico.
Segundo a Dra. Mariana Croda, os internos estão entre os grupos mais vulneráveis à tuberculose, com risco de contágio até 30 vezes maior devido à aglomeração, baixa escolaridade, desnutrição e uso de substâncias como álcool, tabaco e drogas.
Desde 2023, o projeto realiza acompanhamento longitudinal dos internos, mesmo após mudanças de regime, permitindo entender a evolução da doença. O raio-x portátil acelerou a triagem: o aparelho, compacto e de fácil operação, já permitiu realizar até 150 radiografias em um único dia. Além disso, a coleta de escarro é analisada pelo LACEN e UFMS com testes de alta sensibilidade, fornecendo resultados em 2 a 4 horas.
Mapeamentos recentes indicam que o Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) e o Instituto Penal Jair Ferreira de Carvalho (Máxima) apresentam as maiores incidências de tuberculose, somando cerca de 4.500 internos. Os casos identificados estão sendo acompanhados e tratados pelas equipes de saúde das unidades. Outras unidades, como Gameleiras, Patronato e Complexo do Noroeste, também são monitoradas desde 2023, incluindo novos ingressantes, garantindo ampla cobertura do programa em todo o Estado.


