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AUDIÊNCIA PÚBLICA

há 7 meses

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Prefeitura é cobrada após população denunciar abandono de 20 mil famílias em favelas de Campo Grande

Mulheres das favelas lotam a Câmara e expõem abandono da Prefeitura enquanto 20 mil famílias vivem sem CEP, sem saneamento e sem atendimento básico

A audiência pública realizada nesta sexta-feira (14) na Câmara Municipal expôs a crise habitacional que a Prefeitura de Campo Grande tenta minimizar enquanto 20 mil famílias seguem vivendo sem água, sem saneamento, sem CEP e sem qualquer garantia de direitos.

Foram centenas de mulheres que lideraram a mobilização e transformaram o plenário em um grito coletivo por dignidade. São moradoras de 62 favelas que surgiram por falta de política habitacional eficiente. Há dez anos, esse número era zero.

Alems

“O povo quer ser ouvido. Favela não é crime, é sobrevivência”, disse Letícia Polidorio

Letícia Polidorio, presidente da Associação de Mulheres de Favelas de MS, reforçou que a mobilização não é partidária e sim resultado do abandono prolongado.

“O povo quer ser ouvido. A maioria das pessoas aqui não conhece a realidade das favelas. É o momento do poder público ouvir essas pessoas”, disse Letícia Polidorio.

“Dignidade não é luxo, regularização não é esmola”, afirmou Leila Pantaleão

Leila Pantaleão, da Lagoa Park, sintetizou a luta diária das famílias:
“Estamos lutando por moradia digna. O sonho da casa própria é dignidade, estrutura básica de água, luz, esgoto e a certeza de que não vamos perder nossas casas. Dignidade não é luxo, moradia não é brinde e regularização não é esmola. É direito”, afirmou Leila Pantaleão.

“Vai precisar uma criança morrer?” questionou Renata Amarilha Gimenez, da Cidade dos Anjos

Renata trouxe um dos relatos mais duros, lembrando as últimas tempestades que devastaram barracos:
“Crianças correram desesperadas pedindo abrigo em casas de alvenaria durante a chuva. Mães voltaram do trabalho e encontraram tudo no chão. Vivemos assim há cinco anos em cima de um lixão. Vai precisar uma criança morrer embaixo de uma árvore?”, disse Renata Amarilha Gimenez.

“O SAMU não entra sem endereço”, alertou Aline Tagliaferro, da Cruz Vermelha

A falta de CEP e georreferenciamento impede até o atendimento de emergência.
“Ter CEP é ter dignidade. O SAMU não entra sem endereço. São 74 favelas. Precisamos de georreferenciamento urgente”, disse Aline Tagliaferro.

Governo Federal anuncia investimentos. Prefeitura segue entregando pouco

O Governo Federal e a bancada federal anunciaram R$ 47 milhões para urbanização e mais R$ 150 milhões para habitação.
Enquanto isso, a Prefeitura lançou o programa Sonho Seguro, que prevê regularização de 10 mil famílias, mas entregou apenas 150 títulos.

“Campo Grande falhou”, reconheceu o presidente da Câmara, vereador Papy

Durante o debate, o vereador Papy, presidente da Casa, foi direto ao apontar omissões da gestão municipal:
“Campo Grande entra em uma direção muito ruim na falta de assistência às pessoas na política habitacional. Já que as favelas existem, não tem como remover. Você precisa regularizar e estruturar”, disse Epaminondas Neto (Papy).

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