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SAÚDE

há 9 meses

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Negativa familiar impede 6 em cada 10 doações de órgãos em MS

Mesmo com avanços, mais de 60% das famílias recusam autorização; Estado é destaque nacional em transplantes de fígado

Mesmo com avanços importantes na área da saúde, Mato Grosso do Sul ainda enfrenta um grande desafio: mais de 60% das famílias abordadas se recusam a autorizar a doação de órgãos e tecidos de entes falecidos. O dado, da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), revela que a falta de diálogo prévio sobre o tema ainda é um obstáculo à ampliação do número de transplantes no Estado.

De janeiro a setembro deste ano, foram realizados em Mato Grosso do Sul 218 transplantes de córnea, 39 de fígado, 16 de rim e 4 de ossos, beneficiando dezenas de pacientes que aguardavam por uma nova chance de vida. Ainda assim, muitos procedimentos deixam de acontecer por falta de autorização familiar.

Alems

Importância da conversa em vida

De acordo com a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Carmen Miozzo, a entrevista com a família é uma etapa decisiva e delicada do processo.

“Quando a pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora, essa informação facilita a tomada de decisão e aumenta as chances de autorização. O respeito à vontade do doador é um princípio ético que norteia nosso trabalho”, afirmou.

Por lei, apenas familiares até segundo grau, cônjuges ou companheiros — mediante presença de duas testemunhas — podem autorizar a doação de órgãos. Por isso, falar sobre o desejo de doar ainda em vida é fundamental para que a vontade do doador seja respeitada.

MS se destaca no cenário nacional

Apesar das dificuldades com a autorização familiar, Mato Grosso do Sul registra conquistas expressivas. Em menos de um ano desde o início dos transplantes de fígado no Estado, MS já ocupa a 4ª posição no ranking nacional por milhão de habitantes, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). A taxa é de 17,9 transplantes de fígado por milhão de habitantes no 1º trimestre de 2025, atrás apenas do Distrito Federal (48,3), Paraná (21,0) e Ceará (18,6).

O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, comemorou o resultado:

“A habilitação da equipe e da unidade hospitalar permitiu que, em menos de um ano, alcançássemos uma posição de destaque nacional. É uma conquista que reforça nosso compromisso com o acesso a procedimentos de alta complexidade”, destacou.

Campanhas de conscientização

Como parte das ações do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, duas iniciativas reforçam a importância do tema em Mato Grosso do Sul.

No dia 21 de setembro, das 8h às 10h30, acontece a 2ª Caminhada “Passos pela Vida”, no Espaço de Múltiplo Uso Arquiteta Zuleide Simabuco Higa, no Parque dos Poderes, em Campo Grande. O ponto de referência será o Corpo de Bombeiros. A caminhada é promovida por diversas instituições, entre elas a Assembleia Legislativa, Hospital Adventista, Fratello Transplantes e a CET/MS.

Já no dia 22 de setembro, às 19h, será realizada uma sessão solene no Plenário Deputado Júlio Maia, no Palácio Guaicurus, para entrega do Diploma de Honra ao Mérito Legislativo “Amigo do Transplante”. A honraria reconhece pessoas e instituições que se destacam na promoção da cultura da doação no Estado.

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