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SAÚDE

há 10 meses

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Campanha nacional pede canetas emagrecedoras no SUS

Entidades médicas apontam desigualdade no acesso a tratamentos e pressionam governo por incorporação de fármacos já amplamente usados na rede privada

Da redação com informações da Agência Brasil

Em um cenário onde as chamadas canetas emagrecedoras se popularizaram no combate à obesidade entre pacientes da rede privada, entidades médicas intensificam a pressão para que medicamentos com eficácia comprovada também estejam disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) lançou esta semana uma campanha nacional em defesa da inclusão de fármacos para tratamento da obesidade na rede pública.

O movimento conta com apoio de entidades como a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Alems

O objetivo, segundo a Sbem, é mobilizar a sociedade, sensibilizar autoridades e pressionar o governo federal a garantir acesso gratuito a medicamentos já aprovados pela Anvisa, mas que ainda não foram incorporados pelo SUS — entre eles, os agonistas GLP-1, como liraglutida e semaglutida, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.

Obesidade ainda sem tratamento medicamentoso no SUS

Apesar de ser reconhecida como doença crônica e multifatorial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade permanece sem uma linha de tratamento farmacológico disponível gratuitamente no sistema público, o que gera críticas por parte dos especialistas.

“Enquanto pacientes com hipertensão, diabetes ou asma contam com medicamentos no SUS, quem vive com obesidade ainda enfrenta abandono terapêutico”, afirma a entidade em nota oficial.

Nos últimos cinco anos, quatro medicamentos indicados para o controle da obesidade foram avaliados pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), mas todos tiveram a incorporação negada: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida.

Alta prevalência e impacto nos cofres públicos

De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade (WOF), 31% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, enquanto 68% têm sobrepeso — ou seja, quase sete em cada dez brasileiros adultos têm excesso de peso.

A projeção é alarmante: até 2044, 48% da população adulta do país pode estar obesa se nada for feito. A condição está diretamente associada a diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e AVC.

Segundo estimativa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), entre 2021 e 2030, os custos diretos do SUS com doenças associadas à obesidade podem ultrapassar US$ 1,8 bilhão. Já as perdas indiretas, como produtividade e anos de vida ativa, podem chegar a US$ 20 bilhões no mesmo período.

Próximos passos

A campanha busca não apenas alertar a população sobre a desigualdade de acesso ao tratamento, mas também abrir caminho para a revisão das decisões da Conitec e a incorporação dos medicamentos para obesidade no SUS com base em critérios clínicos, sociais e econômicos.

A expectativa é que, com maior mobilização da sociedade civil e da comunidade médica, o Ministério da Saúde reavalie sua posição e passe a oferecer alternativas terapêuticas eficazes e seguras, hoje restritas à população com maior poder aquisitivo.

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