O prédio é o mesmo, mas as paredes ganharam nova cor, os móveis foram trocados e o ambiente parece mais convidativo. A revitalização da Unidade de Saúde da Família (USF) Noroeste, entregue na última sexta-feira (15), foi recebida com entusiasmo por moradores do bairro. Mas, para além do impacto visual e da sensação de acolhimento, permanece a dúvida: a obra garante melhorias reais e duradouras no atendimento público de saúde?
A aposentada Edna dos Santos, de 80 anos, frequenta a unidade há anos para tratar hipertensão e diabetes. Ao lado do marido, elogia o cuidado recebido. “Ela está linda, limpa, aconchegante. Sempre fui bem atendida, agora está ainda melhor”, resume.
Vizinho de Edna, Silvano Galiano, de 58 anos, tem opinião semelhante. Após uma amputação no pé esquerdo, em decorrência da diabetes, ele depende do atendimento frequente para curativos e visitas domiciliares. “Não tenho do que reclamar. São sempre muito atenciosos”, diz. Para ele, a rapidez no atendimento é um diferencial em comparação a outras unidades.
Já para quem chegou há menos tempo, como Raiane Platis, mãe de três meninas, a reforma foi recebida como um sinal positivo. “A unidade deu uma boa melhorada, e o atendimento aqui é sempre muito bom”, comenta.
Histórias como a de Marino Vergílio, que levou a filha recém-nascida à primeira consulta, reforçam o tom de satisfação entre usuários. Mas, apesar das impressões individuais, especialistas em saúde pública lembram que o desafio vai além da estética: o que define a qualidade do SUS é a continuidade do atendimento, a disponibilidade de médicos e medicamentos, e não apenas o ambiente físico.
A prefeitura defende que a obra representa um compromisso com a dignidade no cuidado. “Nosso objetivo é garantir que o paciente se sinta verdadeiramente acolhido”, afirmou a prefeita Adriane Lopes.
Entretanto, moradores de outros bairros relatam realidades distintas: filas longas, dificuldade para marcar consultas e falta de especialistas continuam sendo rotina em muitas unidades de saúde de Campo Grande. Assim, a pergunta que fica é: a revitalização da USF Noroeste é um avanço pontual, restrito a datas comemorativas, ou sinal de uma política consistente de melhoria da atenção básica?
O que se vê hoje é um espaço mais bonito, com usuários satisfeitos. Mas a real medida de sucesso virá apenas com o tempo — quando se comprovar se, além da pintura nova, a dignidade prometida alcançará todos que dependem do sistema público de saúde.


