Mato Grosso do Sul ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de novos casos de tuberculose em unidades prisionais, de acordo com boletim do Ministério da Saúde referente a 2023. No total, foram registrados 7.718 novos casos da doença em pessoas privadas de liberdade no país, sendo a maioria entre homens pardos, com idades entre 18 e 41 anos.
No Estado, a taxa de novos casos variou de 739 a 1.730 por 100 mil detentos, refletindo não apenas a alta incidência, mas também o esforço local na testagem em massa. Segundo o infectologista Julio Croda, esse índice elevado de notificações está ligado à intensa triagem realizada nos presídios de Campo Grande — cerca de três vezes ao ano —, permitindo que praticamente 100% dos casos sejam detectados ainda dentro das unidades.
Apesar do diagnóstico precoce e do início imediato do tratamento, o médico alerta que o principal desafio ainda é a superlotação. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 revelou que o sistema carcerário de MS abrigava 21.654 presos, embora tenha capacidade para apenas 13.156, resultando em um déficit de mais de 8 mil vagas.
Croda também destacou que o tratamento é eficaz para interromper a transmissão da tuberculose em até 15 dias, mas que o controle real da doença exige ações preventivas, como a redução da densidade populacional nas celas. Ele critica a crença de que o isolamento após o diagnóstico seja suficiente, afirmando que a contaminação ocorre antes e que esse pensamento apenas reforça o estigma.
Além de Campo Grande, cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Santa Isabel do Pará também aparecem entre os maiores focos da doença no país.

