Mesmo com a inflação ainda sendo uma das principais preocupações no país, os brasileiros mantêm um certo otimismo quanto à vida pessoal e familiar. É o que mostra a mais recente edição da pesquisa Radar Febraban, divulgada nesta segunda-feira (8), e realizada entre os dias 12 e 20 de junho com 2 mil pessoas em todo o país.
Segundo o levantamento, 83% da população ainda percebem aumento dos preços em relação aos últimos seis meses — número alto, mas que representa uma queda de 6 pontos em relação ao recorde de 89% registrado em março. Essa percepção é mais acentuada entre mulheres (85%) e pessoas com ensino superior ou renda acima de 5 salários mínimos (87%).
Entre os principais impactos da inflação, 75% apontam o consumo de alimentos e produtos domésticos como o item mais afetado, seguido pelo preço dos combustíveis (30%) e gastos com saúde e medicamentos (28%). Os juros do cartão de crédito também preocupam, sendo citados por 21% dos entrevistados.
Satisfação pessoal permanece alta
Apesar da pressão econômica, 70% dos brasileiros afirmam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com sua vida pessoal e familiar — índice que vem se mantendo estável desde dezembro de 2024. A satisfação é maior entre mulheres, pessoas com ensino superior e residentes das regiões Norte e Sul do país.
O levantamento também aponta que 78% consideram que sua vida pessoal e familiar melhorou ou permaneceu igual no primeiro semestre. Para o segundo semestre, 63% acreditam que a situação vai melhorar, enquanto 24% acham que tudo ficará como está e 11% temem piora.
Visão do país divide opiniões
Quando a pergunta é sobre o país, o otimismo dá lugar à divisão de opiniões. Apenas 33% dos brasileiros acreditam que o país melhorou em 2025, enquanto 38% sentem que a situação piorou — o maior índice de pessimismo da série histórica. Ainda assim, 67% apostam que o Brasil pode melhorar (40%) ou se manter estável (27%) no restante do ano.
Entre os fatores que mais pesaram no humor da população estão o aumento da taxa Selic para 15%, a alta na energia elétrica, os gastos com habitação, além de reajustes e criação de tributos, como os relacionados ao IOF e apostas.
Endividamento preocupa e renda não acompanha
A percepção de que o poder de compra vai diminuir subiu para 51%, acompanhando o pessimismo quanto à inflação. Já 71% dos entrevistados acreditam que o endividamento das famílias vai aumentar nos próximos meses. Ao mesmo tempo, 58% não esperam mudanças nos salários, enquanto apenas 23% apostam em aumento de renda.
Saúde, emprego e inflação lideram prioridades
Na lista de prioridades da população brasileira, a saúde segue no topo (32%), seguida por emprego e renda (20%) e inflação/custo de vida (11%). Educação e segurança empatam com 9%, enquanto corrupção e pobreza aparecem com 8% e 4%, respectivamente.


