A Polícia Federal apreendeu, na última quinta-feira (19), mais de 140 unidades de substâncias de uso controlado, comumente conhecidas como “canetas para emagrecer”, durante uma ação de fiscalização no Aeroporto Internacional de Ponta Porã, na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Mato Grosso do Sul.
Os produtos estavam escondidos na bagagem de um passageiro, que não apresentou prescrição médica nem comprovou a regularidade do material junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O homem foi encaminhado à delegacia da PF, onde prestou depoimento e poderá responder por crime contra a saúde pública e importação irregular de medicamento, conforme previsto na legislação sanitária e penal brasileira.
O que são as “canetas milagrosas”?
As chamadas "canetas emagrecedoras" vêm ganhando popularidade entre influenciadores e pacientes que buscam perda rápida de peso. Em geral, os dispositivos contêm substâncias como semaglutida e liraglutida, análogos de GLP-1, originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que também induzem sensação de saciedade e, consequentemente, emagrecimento.
Entretanto, o uso desses medicamentos sem orientação médica adequada pode trazer sérios riscos à saúde, incluindo náuseas intensas, distúrbios gastrointestinais, hipoglicemia, entre outros efeitos adversos.
Alerta da Anvisa
Diante da popularização das canetas, a Anvisa intensificou a fiscalização em aeroportos, portos e nas redes sociais, onde muitas dessas substâncias são vendidas de forma irregular. Segundo o órgão, a importação, comercialização e uso de medicamentos injetáveis sem prescrição médica e registro são ilegais e perigosos.
Em nota recente, a agência reforçou que mesmo os medicamentos com princípios ativos aprovados só podem ser adquiridos mediante prescrição médica específica e em farmácias autorizadas, jamais por meio de redes sociais, e-commerces informais ou trazidos por viajantes sem controle sanitário.
Fronteira como rota de entrada
A cidade de Ponta Porã, que faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, é uma das principais rotas utilizadas para o tráfico de medicamentos ilegais. Produtos com origem duvidosa e sem controle sanitário muitas vezes entram no Brasil por essa região, sendo transportados para outras partes do país.
Segundo fontes da própria Polícia Federal, as apreensões de produtos farmacêuticos irregulares têm aumentado nos últimos meses, especialmente após o crescimento do consumo desenfreado de substâncias associadas ao emagrecimento rápido.
Investigação segue
O passageiro detido deve responder em liberdade enquanto a investigação continua. A Polícia Federal informou que outras operações de fiscalização devem ocorrer nos próximos dias, em parceria com a Receita Federal e a Anvisa.
A orientação aos consumidores é clara: evitem qualquer tipo de automedicação e nunca utilizem substâncias injetáveis sem acompanhamento médico qualificado.


