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Rural

há 17 horas

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Crédito rural via LCA cai 71,3% em MS em duas safras, com maior impacto sobre médios produtores

Volume contratado recuou de R$ 11,99 bilhões para R$ 3,45 bilhões entre as safras 2023/2024 e 2025/2026. Na categoria dos médios produtores, a queda chegou a 90,2%, enquanto a poupança rural ganhou espaço no financiamento do agronegócio

O crédito rural contratado em Mato Grosso do Sul com recursos provenientes das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) caiu 71,3% em duas safras, passando de R$ 11,99 bilhões em 2023/2024 para R$ 3,45 bilhões em 2025/2026. A redução foi a maior entre os nove estados que mais utilizam essa fonte de financiamento. No Brasil, a queda foi de 37,5%.

O recuo atingiu principalmente os médios produtores. Nessa categoria, o volume contratado diminuiu 90,2%, de R$ 5,35 bilhões para R$ 530 milhões no período. O número de operações também caiu: eram 7.585 contratos em 2023/2024, ante 979 em 2025/2026.

Os dados fazem parte de levantamento divulgado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), que analisa as fontes de recursos utilizadas no financiamento do agronegócio.

Segundo o analista de Economia da entidade, Raphael Flôres Gimenes, o financiamento da produção não depende apenas dos recursos disponibilizados diretamente pelos bancos. Parte do dinheiro que chega ao campo tem origem em investimentos feitos por pessoas e empresas no mercado financeiro.

Uma das principais modalidades é a LCA. Nesse tipo de investimento, pessoas e empresas aplicam recursos em bancos ou cooperativas, que utilizam parte do dinheiro captado para financiar atividades do agronegócio. Os valores podem chegar aos produtores por meio de operações de crédito rural.

“O produtor precisa entender que o financiamento da safra não depende apenas do dinheiro disponibilizado pelos bancos. Existem outras fontes que ajudam a movimentar o crédito no agronegócio. Quando uma dessas fontes diminui, isso pode afetar as condições de financiamento e exigir que o produtor avalie outras alternativas”, explica Gimenes.

O levantamento também aponta redução expressiva no crédito destinado às culturas de soja e milho. Os recursos da LCA contratados para financiar essas atividades caíram de R$ 7 bilhões para aproximadamente R$ 1,5 bilhão entre as duas safras.

Outras fontes de financiamento do agronegócio

Além da LCA, produtores e empresas do setor podem recorrer a diferentes instrumentos do mercado financeiro. Entre eles estão a Cédula de Produto Rural (CPR), o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro).

A CPR é um título emitido pelo produtor rural que representa o compromisso de entregar determinada quantidade de produtos, como soja ou milho, ou pagar um valor em dinheiro no futuro. O documento pode ser negociado com bancos, tradings e revendas, permitindo a captação de recursos ou o acesso a insumos para a produção.

Já o CRA transforma recebíveis de empresas e cooperativas do agronegócio em títulos de investimento. Com isso, essas organizações conseguem captar recursos para financiar suas atividades e operações ligadas ao setor.

O Fiagro reúne recursos de diferentes investidores em fundos que podem aplicar em propriedades rurais, empresas do agronegócio e títulos relacionados à cadeia produtiva.

Esses mecanismos ampliam as possibilidades de financiamento para o setor, conectando investidores a operações que movimentam a produção agropecuária.

Poupança rural se torna principal fonte de crédito em MS

Enquanto os recursos provenientes das LCAs diminuíram, a poupança rural ganhou espaço e passou a ser a principal fonte do crédito rural contratado em Mato Grosso do Sul.

O volume avançou de R$ 3,09 bilhões na safra 2023/2024 para R$ 4,94 bilhões em 2025/2026. Desse total, R$ 4,6 bilhões foram contratados com taxas de juros livres, negociadas entre as instituições financeiras e os produtores. Outros R$ 340 milhões tiveram juros equalizados, modalidade em que há subsídio para reduzir o custo do financiamento.

A mudança no perfil das fontes de recursos reforça a importância de avaliar as condições de cada operação antes de contratar crédito para custear a produção.

O que o produtor deve avaliar antes de contratar crédito

A Aprosoja/MS orienta os produtores a comparar o custo total das operações, considerando não apenas os juros, mas também seguros, taxas e possíveis diferenças entre os preços dos insumos à vista e a prazo.

Uma das formas de facilitar essa análise é converter o custo do financiamento em sacas de soja. Dessa maneira, o produtor consegue visualizar quanto da produção será necessário para quitar a dívida.

Também é importante verificar as garantias exigidas, ler todas as cláusulas do contrato e avaliar se o compromisso financeiro é compatível com a capacidade de pagamento da propriedade.

“Não basta olhar apenas para o valor liberado ou para a facilidade de conseguir o recurso. O produtor precisa saber quanto vai pagar por esse financiamento e quanto isso representa em sacas da sua produção. Essa comparação ajuda a identificar qual alternativa oferece melhores condições para a realidade de cada propriedade”, orienta Gimenes.

O informativo da entidade também destaca a necessidade de ampliar os mecanismos de garantia e preservar a segurança jurídica das operações, medidas consideradas importantes para melhorar o acesso dos produtores ao crédito.

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