Excesso de chuva provoca erosão e pode exigir replantio de soja em MS
Estado já tem 26,6% da área prevista semeada para a safra 2026/2027, mas precipitações intensas causam perda de solo e sementes e dificultam a emergência das plantas
O excesso de chuva em Mato Grosso do Sul tem provocado problemas no início do plantio da soja para a safra 2026/2027. Em algumas áreas, as precipitações intensas causaram erosão e arraste de sementes, situação que pode exigir o replantio. O cenário também exige atenção à formação das plantas, às condições do solo e ao manejo das lavouras.
Levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), com dados de estações meteorológicas automáticas do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta volumes expressivos de chuva entre 1º de setembro e 14 de outubro.
Dourados registrou 459,2 milímetros no período, seguida por Ivinhema, com 422,4 mm; Itaporã, com 389,4 mm; Anaurilândia, com 373 mm; Sidrolândia, com 371,8 mm; Nova Alvorada do Sul, com 344,6 mm; e Campo Grande, com 293,2 mm.
Enquanto as regiões Centro e Sul tiveram chuvas que favoreceram o início da semeadura, o volume elevado também trouxe desafios para a implantação da cultura. No Norte e na região Pantaneira, os acumulados de setembro ficaram entre 0 e 80 milímetros, próximos ou ligeiramente abaixo da média, conforme o levantamento.
Plantio da soja avança em ritmos diferentes
Até 9 de outubro, Mato Grosso do Sul havia semeado 26,6% da área estimada para a safra, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de hectares. Os dados são do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems e da Semadesc.
A região Sul apresentava 35,7% da área semeada, enquanto o Centro chegava a 17,9%. No Norte, onde as chuvas foram irregulares, o plantio ainda estava abaixo de 5%.
Chuvas intensas prejudicam o solo e a emergência
Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, o acompanhamento das condições do solo é essencial para avaliar os efeitos das precipitações sobre a lavoura.
Quando o solo fica saturado, a infiltração da água diminui, favorecendo o escoamento superficial e a erosão. O processo pode remover a camada superficial, onde se concentram nutrientes e matéria orgânica, além de carregar fertilizantes e sementes.
O Informativo Técnico nº 06/2026 da Aprosoja/MS já registra relatos de selamento superficial do solo em áreas da região Centro e de erosão com arraste de terra e sementes na região Sudeste. Em algumas áreas, a situação poderá exigir replantio.
O selamento superficial ocorre quando o impacto das gotas de chuva desagrega partículas do solo, que se acumulam nos poros e reduzem a infiltração da água. Depois que a superfície seca, pode se formar uma crosta que dificulta a emergência da soja e prejudica o desenvolvimento inicial das plantas.
A umidade elevada também pode favorecer doenças, tombamento de plântulas e podridões nas raízes. As chuvas ainda reduzem as janelas disponíveis para pulverizações, dificultando o controle de plantas daninhas e pragas no momento adequado.
Orientação é evitar máquinas em solo encharcado
A recomendação técnica é acompanhar a previsão do tempo e evitar a entrada de máquinas em áreas encharcadas, para reduzir o risco de compactação do solo.
Após períodos de chuva intensa, os produtores devem observar sinais de erosão, formação de crostas e falhas na emergência das plantas. A avaliação do estande, conjunto de plantas estabelecidas na lavoura, é importante para determinar se há necessidade de replantio.
A manutenção da cobertura de palha e práticas de conservação do solo, como terraços e curvas de nível, também ajudam a reduzir o escoamento da água e a erosão.
O monitoramento de doenças e plantas daninhas desde o início do ciclo é outra medida recomendada, com planejamento das operações de manejo conforme as condições climáticas.
Cenário lembra safra de 2015/2016
A Aprosoja/MS aponta semelhanças entre as condições atuais e as da safra 2015/2016, que também ocorreu sob influência de um El Niño de intensidade muito forte. Naquele período, as chuvas favoreceram inicialmente o avanço da semeadura, mas o excesso de precipitação trouxe dificuldades aos produtores da região Sul do Estado.
Diante do cenário da safra 2026/2027, o acompanhamento técnico das lavouras e a avaliação das condições de cada área são fundamentais para orientar decisões sobre manejo e eventual replantio.

