Em meio a especulações sobre uma possível composição como vice em uma chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que seguirá com sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Apesar disso, deixou em aberto a possibilidade de apoio conjunto entre nomes da direita em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Minha base primeiro será Belo Horizonte, e São Paulo pela importância e relevância vai ter com toda certeza seu lugar na nossa agenda. Eu estive com [Jair] Bolsonaro em agosto do ano passado e ele disse que quanto mais pré-candidatos a direita tiver, melhor; mais votos ela vai ter, mais difícil vai ficar para o PT direcionar o seu ataque a um só candidato, mas no segundo turno estaremos todos juntos”, prometeu Zema.
O posicionamento foi reforçado durante evento realizado no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, onde o político apresentou diretrizes iniciais de seu plano de governo.
Propostas e pautas defendidas
Entre os principais pontos defendidos por Zema estão a redução da maioridade penal, a privatização de empresas estatais e a criação de alternativas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O pré-candidato também afirmou que, caso eleito, pretende conceder anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Outras medidas citadas incluem o endurecimento das leis penais, como o fim das saídas temporárias de presos e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. “Crime de adulto vai ter pena de adulto”, ameaçou.
Questionado sobre o reajuste de cerca de 300% em seu próprio salário enquanto governador, em 2023, Zema afirmou que os valores são destinados a instituições sociais. “Nunca coloquei R$ 1 no bolso. Estar ganhando R$ 1, R$10 ou R$50 não faz diferença pra mim”, declarou.
Críticas ao Supremo e embate com ministros
O ex-governador também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo mudanças estruturais na Corte, como a criação de mandatos para os ministros.
“A primeira coisa que eu vou fazer é acabar com a farra dos intocáveis. Minha primeira medida será propor ao Congresso um novo Supremo, um Supremo em que seus membros prestem contas dos seus atos. Um Supremo em que parentes de ministros não possam ter negócios jurídicos. Um Supremo com idade mínima de 60 anos e mandato de 15, para que seja a coroação de uma carreira irretocável”, disse.
Zema ainda afirmou que integrantes do tribunal devem ser investigados e fez críticas diretas à atuação da Corte. “O Judiciário é importantíssimo, mas hoje ele está sendo o contrário. Hoje os exemplos piores do Brasil estão vindo do Supremo Tribunal Federal, que se transformou no balcão de negócios, está claríssimo. E precisamos não só tirar dois ministros [Dias Toffoli e Alexandre de Moraes] de lá pelo que já se viu, como também mandá-los para a prisão em nome de uma democracia”, atacou.
Divergência com Gilmar Mendes
Durante conversa com jornalistas, Zema comentou o desentendimento recente com o ministro Gilmar Mendes. O político questionou a postura do magistrado após declarações públicas.
“Eu não sei se alguém aqui que já teve alguma decisão judicial favorável ficou em dívida com o juiz, isso ele não me falou. E parece que agora ele está se julgando como um credor de Minas ou de mim em alguma questão, e para mim Justiça é para decidir de acordo com a lei e com a Constituição, e não pra poder submeter alguém ou ter favores de alguém”, afirmou.
A troca de críticas ocorreu após Mendes reagir, nas redes sociais, a declarações anteriores de Zema sobre o Supremo.










