O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a ouvir e realizar uma acareação entre o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o deputado José Rocha (União Brasil-BA). A medida visa esclarecer divergências sobre a destinação de emendas parlamentares do antigo orçamento secreto, que está no centro de um inquérito que levou à Operação Transparência em dezembro passado. A operação teve como alvo a ex-assessora de Lira, Mariangela Fialek, conhecida como Tuca, que foi investigada pelo suposto controle de indicações desviadas de recursos do orçamento.
Segundo a Advocacia da Câmara, Rocha teria indicado diversas emendas sem consultar as lideranças partidárias, causando sobreposição e conflitos entre deputados. Já Lira, à época presidente da Casa, só teria tomado conhecimento do problema quando o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que o valor disponível para emendas de comissão havia sido esgotado. A decisão de Dino busca esclarecer essas contradições e identificar responsabilidades no uso irregular de recursos públicos.
A Operação Transparência resultou em busca e apreensão nos gabinetes e na casa de Mariangela Fialek, com apreensão de computadores, celulares e anotações, que ainda estão sob análise da Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que a servidora teria atuado no controle das indicações desviadas em benefício de uma provável organização criminosa voltada a desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.
Com a acareação, a PF deverá confrontar os relatos de Lira e Rocha para apurar se houve irregularidades na destinação de emendas, incluindo supostas retiradas indevidas de recursos de Alagoas, e detalhar o funcionamento do esquema que dificultava a identificação de autores das emendas. O inquérito segue em sigilo, e novas diligências poderão ser realizadas à medida que os depoimentos forem analisados









