quarta, 17 dezembro 2025

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há 1 mês

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STF inicia análise de denúncia contra Eduardo Bolsonaro por suposta pressão internacional

Deputado é acusado pela PGR de tentar influenciar autoridades estrangeiras para afetar processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro; julgamento ocorre no plenário virtual até 25 de novembro

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado

O Supremo Tribunal Federal começa nesta sexta-feira (14) a deliberar se aceitará ou não a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A PGR afirma que o parlamentar teria atuado nos Estados Unidos para incentivar ações do governo norte-americano contra integrantes da Justiça brasileira, em meio a investigações relacionadas ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A análise será conduzida pela Primeira Turma do STF, no sistema de plenário virtual, no qual os ministros inserem seus votos eletronicamente. O julgamento está previsto para durar até 25 de novembro, a menos que haja pedido de vista — que prolonga o prazo — ou destaque para levar o caso ao plenário presencial.

Caso a denúncia seja acolhida, Eduardo Bolsonaro se tornará réu por coação no curso do processo. Se for rejeitada, o inquérito será arquivado.

Origem da investigação

As apurações começaram em maio, após a PGR solicitar ao STF a abertura de investigação sobre possíveis ações de Eduardo Bolsonaro no exterior para pressionar autoridades brasileiras. O órgão cita entrevistas, publicações e declarações públicas nas quais o deputado defendia medidas de retaliação a ministros do Supremo.

O caso evoluiu ao longo dos meses com novas diligências, inclusão de investigados e medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes. Em julho, Jair Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo foram incorporados à investigação. Em agosto, o pastor Silas Malafaia também passou a ser investigado.

A Polícia Federal apresentou, em diferentes etapas, relatórios apontando indícios de tentativa de interferência no processo. Em setembro, a PGR formalizou a denúncia contra Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.

Ponto central da acusação

Para a Procuradoria, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo buscaram criar um ambiente de tensão e intimidação, incentivando a adoção de sanções estrangeiras que pudessem impactar instituições brasileiras. A PGR sustenta que essa articulação pretendia evitar o avanço do processo relacionado ao suposto plano golpista investigado pelo Supremo.

O crime imputado — coação no curso do processo — prevê pena de até quatro anos de prisão e está relacionado a atos que visem constranger ou ameaçar envolvidos em procedimentos judiciais.

O que o STF decide agora

A etapa atual do julgamento avalia somente se há base legal suficiente para transformar a denúncia em ação penal. Para isso, os ministros verificam se existem elementos mínimos que indiquem possível crime e autoria. É nesse ponto que o colegiado decide se o processo continua ou não.

Se a Primeira Turma entender que a acusação não reúne os requisitos legais, o caso será encerrado. Caso contrário, abre-se ação penal, com coleta de provas, oitivas e, ao final, julgamento sobre condenação ou absolvição.

Em qualquer um dos desfechos, as partes ainda podem contestar a decisão dentro do próprio Supremo.

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