terça, 13 janeiro 2026

TARIFAÇO

31/07/2025 07:30

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Senadores comemoram exceções a produtos brasileiros e reforçam importância do diálogo

Café, frutas tropicais, celulose e calçados escapam da sobretaxa de 50% imposta por Trump; carne bovina segue na lista e pressiona agro brasileiro

Atualizado: 31/07/2025 09:09

Da redação

Apesar de sobretaxa de 50% anunciada por Trump, comitiva brasileira comemora lista de exceções e diz que “diálogo está aberto”. Senadora Tereza Cristina afirma que missão teve saldo positivo, mesmo com pressão do agro.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), declarou que a missão oficial aos Estados Unidos termina com a “sensação de dever cumprido”. O alívio veio com a exclusão de produtos estratégicos como celulose e ferro-gusa da lista de mais de 700 itens brasileiros inicialmente previstos para receber sobretaxa de 50% pelo governo Donald Trump.

“Saímos daqui com ações concretas, resultados positivos, e, o mais importante, com um canal direto e aberto com parlamentares e empresários americanos. Essa articulação será fundamental para o prosseguimento das negociações. A exclusão da celulose e do ferro-gusa era uma prioridade para Mato Grosso do Sul”, disse o parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais.

De acordo com dados da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), esses dois produtos representaram 36,6% das exportações do estado para os EUA em 2025. Só no primeiro semestre, a celulose rendeu US$ 74,8 milhões e o ferro-gusa, US$ 40,5 milhões.

O que ficou de fora do tarifaço

A principal boa notícia para o Brasil após a missão diplomática a Washington foi a divulgação da lista de produtos que não serão afetados pela nova tarifa de 50% imposta pelo governo Donald Trump. Entre os itens que escaparam da taxação estão:

  • Café verde (in natura)
  • Celulose e papel industrializado
  • Calçados e têxteis de menor valor agregado
  • Frutas tropicais frescas (manga, mamão, melão)
  • Etanol de milho destinado à indústria química
  • Carnes processadas e enlatadas (exceto bovina in natura)

Segundo a comitiva, que compartilhou vídeos nas redes sociais durante toda a missão, essas exceções foram tratadas como vitórias parciais importantes para segmentos produtivos que geram emprego e movimentam a balança comercial brasileira.

Senadores foram às redes: “Vitórias importantes”

A estratégia de comunicação da comitiva incluiu postagens frequentes em redes sociais, com vídeos diretos de Washington. Em uma das gravações, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aparece ao lado de outros parlamentares reforçando que a mobilização ajudou a proteger setores estratégicos.

“Conseguimos abrir um canal de diálogo importante. Muitos produtos ficaram de fora da lista e isso já é um alívio para alguns setores, como o de frutas e têxteis”, declarou Tereza em um vídeo publicado em seu perfil no X (antigo Twitter).

O senador Marcos Rogério (PL-RO), também presente na missão, complementou: “Essa foi só a primeira rodada. Vamos continuar insistindo pela retirada de mais produtos da tarifa de 50%.”

Agro não saiu ileso: carne bovina segue na mira

Apesar dos avanços, nem tudo foi motivo de comemoração. A carne bovina in natura — produto de forte peso na pauta exportadora do Centro-Oeste — segue na lista de produtos sobretaxados. A senadora sul-mato-grossense, que tem base no agronegócio, reconheceu o impacto:

“Fizemos o que estava ao nosso alcance. Infelizmente, os pecuaristas continuam sendo penalizados. Mas a luta continua”, disse Tereza.

Impactos econômicos e próximos passos

A comitiva parlamentar prepara agora um relatório oficial da missão, que será entregue ao presidente Lula e ao Itamaraty. A expectativa é que, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Agricultura, novas frentes de negociação sejam abertas.

Alternativas: foco na Ásia e Rota Bioceânica

Paralelamente à crise com os EUA, o governo de Mato Grosso do Sul e a Federação das Indústrias (Fiems) preparam uma missão comercial à Ásia em agosto, com foco no Japão e nos mercados do Pacífico. A Rota Bioceânica — projeto de infraestrutura que liga o Brasil ao Chile, via Paraguai e Argentina — será um dos principais trunfos apresentados aos investidores asiáticos.

“O momento exige estratégia. Se os EUA fecham uma porta, temos que abrir outras no Pacífico e na Ásia”, afirmou o presidente da Fiems, Sérgio Longen.

Conclusão: saldo parcial, mas missão continua

A missão parlamentar aos Estados Unidos não reverteu o tarifaço, mas obteve ganhos relevantes em meio à tensão diplomática. A preservação de alguns produtos-chave traz fôlego temporário para setores da economia, enquanto o Brasil repensa sua estratégia internacional.

“Voltamos com trabalho a fazer. Agora é reunir o governo e o setor produtivo para traçar um plano nacional de reação”, concluiu a senadora Tereza Cristina em sua última postagem antes de desembarcar no Brasil.

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