Com o calendário eleitoral de 2026 acelerando, o Partido Social Democrático (PSD) tem se movimentado nos bastidores para se posicionar como uma alternativa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principais nomes ainda em discussão no espectro político nacional. Enquanto isso, no plano institucional, o governador de Rondônia formalizou sua mudança partidária, fortalecendo a legenda em nível estadual.
Bastidores de uma “trégua” no primeiro turno
A estratégia de políticos e dirigentes de partidos situados à direita e ao centro-direita tem sido descrita nos corredores como uma espécie de “trégua” informal para o primeiro turno das eleições presidenciais, em que as lideranças evitam confrontos diretos prematuros. Oficialmente, articuladores políticos tentam transmitir a ideia de união temporária — com a mensagem de que “ninguém solta a mão de ninguém” — em torno de uma frente contra o presidente Lula.
Nos bastidores, no entanto, a disputa ainda é marcada por cálculos internos de cada grupo, que aguardam desenvolvimentos numéricos e de cenário antes de definirem quem seguirão adiante ou até onde manterão campanhas próprias. Nas palavras de analistas ouvidos por colunistas, a lógica da direita e da centro-direita é um “resta um”, em que todos se movem, mas apenas um tende a permanecer competitivo e viável ao fim.
“... oficialmente há pacto de não agressão ‘por ora’, mas, longe das câmeras, cada grupo testa caminhos para não ficar para trás.”
Dentro dessa articulação, o PSD tem reforçado seu posicionamento como espaço para lideranças da chamada terceira via ou bloco alternativo — nem alinhado ao PT nem ao PL — ao reunir potenciais candidatos como Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS), além de recém-filiações de governadores que ampliam sua capacidade de influência no Norte e no Centro-Oeste.
Filiação de Marcos Rocha intensifica ofensiva do PSD
No plano institucional, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, anunciou oficialmente sua saída do União Brasil e ingresso no PSD na sexta-feira (30), durante ato ao lado do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Com isso, o PSD amplia ainda mais sua presença nos Executivos estaduais, agora com seis governadores filiadas à sigla, consolidando-a como uma das principais forças regionais para o pleito de outubro.
Rocha, que foi reeleito governando Rondônia com apoio de setores da direita, comemorou a mudança nas redes sociais e destacou a importância de se integrar a uma legenda que considera “séria” e capaz de contribuir para seu projeto político no Norte do país.
O movimento segue a mesma linha de filiações recentes, como a do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que também deixou o União Brasil para se unir ao PSD, reforçando o papel da sigla de Kassab como centro de convergência para lideranças de distintas regiões.
O xadrez eleitoral em meio à polarização
Essas movimentações ocorrem num cenário em que as pesquisas de intenções de voto continuam a apontar Lula como líder em cenários de primeiro turno, embora ainda não com uma vantagem tão ampla que elimine indefinições futuras, enquanto possíveis nomes de centro-direita buscam espaço para crescer.
A combinação de táticas de acomodação temporária e reforço de quadro partidário nos estados indica que as negociações internas e as estratégias de alianças serão determinantes ao longo dos próximos meses, antes dos prazos finais de definição de candidaturas e coligações.









