A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta sexta-feira (9) que recebeu um convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para realizar uma visita oficial ao Brasil. A informação foi divulgada durante uma entrevista coletiva concedida em Acapulco, no litoral mexicano, e repercutida por agências internacionais de notícias.
O anúncio ocorre em meio a uma intensa movimentação diplomática de Lula com líderes das Américas, motivada pela recente crise política na Venezuela após a retirada do presidente Nicolás Maduro do poder em uma ação liderada pelos Estados Unidos no último fim de semana.
Diálogo entre Brasil e México sobre a Venezuela
Segundo Sheinbaum, o convite foi feito após uma conversa telefônica entre ela e Lula, na qual ambos discutiram caminhos para a cooperação regional e possíveis iniciativas voltadas à estabilização da Venezuela. A presidente mexicana destacou a disposição conjunta de atuar em favor da paz e criticou qualquer tentativa de divisão geopolítica do continente.
Em nota oficial, o Palácio do Planalto informou que os dois chefes de Estado rejeitaram a lógica de interferência externa na região.
“Os dois líderes rejeitaram qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência. Reiteraram, nesse contexto, a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio”, diz o comunicado.
Conversa com o presidente da Colômbia
Além do diálogo com o México, Lula também manteve contato telefônico com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. De acordo com o governo brasileiro, os dois líderes não reconheceram a legitimidade da ação conduzida pelo governo dos Estados Unidos contra Maduro.
“Concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”, informou o Planalto após a conversa.
A nota acrescenta que ambos avaliaram a ofensiva norte-americana como um risco à estabilidade regional.
“Os dois mandatários manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela”, afirma o texto.
Contato com o Canadá e apoio à transição pacífica
Lula também conversou com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para tratar do mesmo tema. Em comunicado, o governo canadense afirmou que os dois líderes concordaram sobre a necessidade de uma transição pacífica na Venezuela, conduzida pelos próprios venezuelanos e baseada em negociação.
“Os líderes enfatizaram a necessidade de todas as partes respeitarem o direito internacional e o princípio da soberania”, declarou o gabinete do premiê canadense.
Repercussões regionais e ajuda humanitária
A crise venezuelana também repercutiu na Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro, conversou recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após troca de declarações públicas entre ambos. Trump chegou a mencionar a possibilidade de uma ação semelhante no território colombiano, o que foi duramente criticado por Petro.
Em outra frente, Brasil e Colômbia reforçaram o compromisso de cooperação diante do impacto humanitário da crise. Segundo o Planalto, Lula informou a Petro que o Brasil está enviando 40 toneladas de medicamentos e insumos à Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas.
As doações têm como objetivo recompor estoques de produtos médicos e soluções para diálise destruídos após bombardeios ocorridos no dia 3 de janeiro, que atingiram um centro de abastecimento no país vizinho.









