A mais recente pesquisa do instituto Quest, divulgada nesta terça-feira (16), revela um cenário preocupante para quem defende uma virada de rumo no Brasil em 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga as intenções de voto no primeiro turno e venceria todos os adversários testados em simulações de segundo turno.
O dado mais alarmante, porém, não está apenas na força eleitoral de Lula, mas na incapacidade da direita de apresentar, até agora, um projeto competitivo, moderno e capaz de dialogar com a maioria da população.
Lula lidera com conforto em todos os cenários
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 23%. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), soma 13%, enquanto outros nomes têm desempenho residual. Em simulações alternativas, o presidente mantém índices semelhantes, variando entre 34% e 41%, sempre à frente.
Nos cenários de segundo turno, a vantagem de Lula se mantém. Contra Flávio Bolsonaro, o petista teria 46%, frente a 36% do senador. Em uma eventual disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula venceria por 45% a 35%.
Os números indicam que, mesmo diante de críticas à condução econômica, aumento do gasto público e sinais de esgotamento fiscal, o governo ainda se beneficia de uma oposição desorganizada e presa a disputas internas.
A insistência no sobrenome Bolsonaro
Apesar dos resultados pouco animadores, Flávio Bolsonaro reafirmou nesta terça-feira que seguirá como pré-candidato à Presidência da República em 2026. Segundo o senador, ele só abriria mão da disputa caso seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, estivesse livre e apto a concorrer — cenário que hoje não existe.
“Minha candidatura está mantida. Só existe uma hipótese de mudança, que seria o Jair Bolsonaro estar livre e apto a disputar. Esse não é o cenário de hoje”, afirmou Flávio, após visitar o pai na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A postura reforça a percepção de que parte da direita permanece refém de um projeto personalista e familiar, mesmo diante de sinais claros de desgaste. A própria pesquisa Quest mostra que 54% dos brasileiros consideram que Jair Bolsonaro errou ao indicar o filho como candidato ao Planalto, contra apenas 36% que avaliam a decisão como acertada.
Resistência do centro e aposta em nomes mais competitivos
A dificuldade de Flávio Bolsonaro em ampliar apoios também aparece na articulação partidária. Líderes de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PSD já sinalizaram preferência pelos governadores Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior como possíveis candidatos à Presidência.
Segundo interlocutores, há forte resistência a uma candidatura que mantenha o capital político concentrado no bolsonarismo raiz, considerado incapaz de dialogar com o eleitorado de centro e com setores urbanos que hoje decidem eleições.
A avaliação entre dirigentes partidários é de que um nome com perfil mais técnico, menos ideológico e com histórico administrativo poderia explorar o desgaste natural do governo Lula, algo que não vem sendo feito até agora.
Direita fragmentada, Lula agradece
Os dados da Quest deixam claro que o principal trunfo de Lula para 2026 não é exatamente o sucesso do governo, mas a fragmentação de seus adversários. Enquanto a direita insiste em disputas internas, vaidades pessoais e fidelidade a sobrenomes, o presidente mantém uma base sólida e se beneficia da ausência de uma alternativa clara.
A eleição de 2026 tende a repetir um padrão já conhecido: se não houver uma candidatura liberal, reformista e com discurso responsável na economia e nas instituições, o eleitor médio pode acabar optando pela continuidade, mesmo insatisfeito.
O recado das pesquisas é direto: sem maturidade política, renovação real e desprendimento de projetos personalistas, a oposição seguirá pavimentando o caminho para mais um mandato do PT.









