A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), conta com o apoio da direção nacional de seu partido para disputar uma vaga no Senado Federal por Mato Grosso do Sul, caso deseje retornar ao Congresso nas eleições de 2026. A informação foi confirmada por meio de nota da assessoria do MDB nacional, que ressaltou que a decisão ainda será discutida internamente, caso se concretize.
“Se esse tema for levado à executiva nacional, será debatido de forma colegiada. Mas Simone Tebet tem total respaldo para concorrer por Mato Grosso do Sul, se essa for sua escolha”, informou a nota enviada ao Correio do Estado.
O aval da cúpula do partido, no entanto, contrasta com a postura do MDB estadual, onde lideranças importantes, como o ex-governador André Puccinelli, têm se posicionado contra a candidatura de Simone, especialmente se estiver vinculada a uma aliança com o presidente Lula (PT).
Conflito regional: MDB-MS resiste a aproximação com o Planalto
A possibilidade de Simone Tebet encabeçar uma chapa com apoio do presidente Lula é vista com rejeição por nomes históricos do partido em Mato Grosso do Sul. André Puccinelli, uma das principais lideranças do MDB local, já afirmou publicamente que a candidatura só sairia com intervenção da direção nacional.
“Se for apoiada pelo Lula, não terá espaço aqui. Só se a nacional intervir”, disse Puccinelli, em tom categórico.
Nos bastidores, a relação de Simone com o diretório estadual já vinha desgastada desde sua candidatura à Presidência em 2022 e sua posterior entrada no governo petista. Hoje, o MDB de MS mantém aliança com o PSDB e apoia a reeleição do governador Eduardo Riedel e uma eventual candidatura ao Senado do ex-governador Reinaldo Azambuja.
PT cogita ceder espaço a Simone na corrida ao Senado
Enquanto enfrenta resistência interna no MDB sul-mato-grossense, Simone pode encontrar caminho livre no campo petista. O presidente estadual do PT, deputado Vander Loubet, já sinalizou que abriria mão de sua própria pré-candidatura ao Senado para apoiar a ministra.
“Se Simone for a melhor opção para nosso grupo, estou disposto a recuar. Inclusive quero dialogar com o MDB local sobre isso”, afirmou Vander à imprensa.
O gesto fortalece a hipótese de Simone se tornar a candidata de Lula no estado, o que a colocaria no centro de uma disputa regional entre duas forças: o MDB tradicional e o projeto nacional do Planalto.
MDB estadual ameaça lançar candidatura própria
A postura do PSDB, aliado atual do MDB-MS, também tem gerado ruídos. A estratégia tucana de montar uma coligação reduzida, com apenas três partidos, causou insatisfação entre os emedebistas, que se sentem marginalizados das decisões.
Diante desse cenário, o ex-governador Puccinelli já cogita lançar candidaturas próprias ao Senado ou até ao Governo estadual, caso o MDB seja excluído da chapa majoritária liderada por Riedel e Reinaldo.
Tebet no jogo: possível candidata e peça-chave para Lula no Centro-Oeste
Simone Tebet se tornou uma figura nacional desde sua candidatura presidencial em 2022 e ganhou ainda mais visibilidade ao assumir o Ministério do Planejamento no governo Lula. Sua possível candidatura ao Senado em 2026, especialmente por um estado onde a base petista é frágil, pode ser estratégica para o presidente.
Mas para isso, a ministra precisará vencer a resistência interna de seu próprio partido no estado — ou contar com uma articulação direta do MDB nacional e do Palácio do Planalto.









