O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou, em entrevista ao O Globo, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), só deverá concorrer à Presidência em 2026 se tiver “quase certeza da vitória”. Segundo ele, se a eleição fosse hoje, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiria a reeleição.
Kassab disse ter mudado de opinião desde janeiro, quando acreditava que Lula perderia caso tentasse novo mandato.
“As pesquisas refletem o momento. Naquele período, os números indicavam outra tendência. Agora, ele venceria. Almoçamos ontem, e ele está animado com a reeleição”, contou.
O dirigente avaliou ainda que Jair Bolsonaro (PL) deve priorizar uma vaga no Senado, e não o Planalto. Sobre a prisão domiciliar do ex-presidente, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), classificou o caso como “lamentável” e sugeriu que a Corte poderia ter evitado a medida no campo político.
“Nas vírgulas da Constituição, há juristas que dizem que a decisão foi correta. Nas vírgulas da política, poderia ter sido evitada”, disse.
Kassab criticou as sanções impostas pelos EUA a produtos brasileiros, relacionando-as à regulação das big techs, a ações dos Brics e à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro no exterior. Para ele, o filho do ex-presidente “trabalhou e trabalha pelas sanções”, posição com a qual discorda.
Ao comentar o uso, por Tarcísio, de um boné com o lema “Make America Great Again” durante a posse de Donald Trump, Kassab minimizou a polêmica, mas alertou para riscos diplomáticos.
“Ele ajustou a comunicação para mostrar apoio aos produtores brasileiros, mas será que conseguiremos novos mercados para compensar as perdas com os EUA?”, questionou.
Sobre 2026, Kassab reforçou que Tarcísio só será candidato com apoio de Bolsonaro e de partidos de centro, e considera mais provável que ele conclua o mandato em São Paulo. O PSD, segundo ele, já tem dois pré-candidatos: Ratinho Jr. e Eduardo Leite, com preferência pelo primeiro. Outros nomes citados como potenciais concorrentes são Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União Brasil).
Kassab também defendeu que o debate sobre anistia seja permitido, mesmo antes do julgamento no STF. Entre outras articulações estaduais, disse que Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pode disputar o governo de Minas ou ir para o Supremo; Mateus Simões (Novo) é outro nome viável no estado. No Rio de Janeiro, afirmou que Eduardo Paes “já vestiu a fantasia de candidato” ao governo e conta com “marca própria” e apoio expressivo.










