sábado, 07 fevereiro 2026

Internacional

há 3 semanas

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Irã diz estar pronto para guerra com EUA, mas mantém porta aberta ao diálogo

Declarações de Teerã ocorrem em meio a protestos internos, ameaças de ação militar de Washington e tensões regionais intensificadas após conflito recente

Atualizado: há 3 semanas

Ricardo Prado

O Irã afirmou nesta segunda-feira (12) que está “totalmente preparado” para um possível confronto com os Estados Unidos, em meio a uma grave crise interna e à escalada de tensões com Washington. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, em discurso diante de diplomatas estrangeiros em Teerã, e marca um momento delicado nas relações entre as duas potências.

Araghchi destacou que, embora Teerã não busque beligerância, a nação está mais preparada para um conflito do que no passado recente, referindo-se às lições aprendidas em confrontos anteriores com Israel e à necessidade de dissuasão. Ao mesmo tempo, ele reiterou que o país ainda vê o diálogo como uma alternativa — desde que seja “justo” e baseado no “respeito mútuo”.

Preparação e postura oficial do Irã

O chefe da diplomacia iraniana ressaltou que a República Islâmica não pretende iniciar hostilidades, mas “não hesitará em defender sua soberania” caso seja atacada. 

“Não buscamos guerra, mas estamos totalmente preparados para ela — mais preparados do que durante a guerra anterior”, disse Araghchi, citando experiências passadas e a identificação de vulnerabilidades tanto internas quanto de possíveis adversários.

“O melhor caminho para evitar a guerra é estar preparado para ela para que nossos inimigos não caiam novamente em erros de cálculo”, complementou.

Ele também enfatizou que negociações só fazem sentido se ocorrerem em condições equitativas e com respeito às preocupações de Teerã, mantendo a porta aberta para conversas indiretas mediadas por terceiros.

Contexto de protestos e pressão internacional

As declarações de Araghchi surgem num momento de intensa turbulência interna no Irã, com protestos em todo o país que começaram no final de dezembro e já deixaram centenas de mortos e milhares de detidos, segundo grupos de direitos humanos. As manifestações, inicialmente motivadas por dificuldades econômicas e a queda da moeda local, transformaram-se em críticas mais amplas ao governo teocrático.

A reação das autoridades iranianas incluiu um apagão de internet em grande parte do país e uma repressão vigorosa a manifestantes, que tem sido duramente criticada por organizações internacionais.

Retórica de Washington e possibilidades de ação

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem considerado “opções fortes” em resposta à repressão no Irã e à possibilidade de intervenções externas na crise. Embora tenha confirmado que canais de comunicação diplomática permanecem abertos — mesmo que de forma indireta, por meio de intermediários —, Trump advertiu que ação militar pode ser considerada dependendo da evolução dos acontecimentos.

“O povo do Irã está procurando liberdade como nunca antes, e os EUA estão prontos para ajudar,” escreveu Trump recentemente em ferramenta de mídia social ao comentar a situação.

Tanto Teerã quanto Washington têm interesses estratégicos divergentes no Oriente Médio, e as tensões entre os dois países aumentaram após confrontos regionais e bombardeios a instalações nucleares iranianas em um conflito de 12 dias envolvendo Israel em 2025 — sobre o qual Teerã afirma ter identificado fragilidades de defesa de seus adversários e aprendido lições táticas.

Diplomacia ou confrontação?

Apesar do tom assertivo, oficiais iranianos repetiram que não buscam um conflito direto com os EUA e insistiram que as negociações podem ocorrer, desde que as conversas respeitem a soberania e as condições de ambos os lados.

Especialistas em relações internacionais alertam, contudo, que a combinação de repressão interna, líderes pressionados e retórica beligerante pode aumentar o risco de escalada, mesmo enquanto diplomatas tentam manter abertos canais de comunicação.

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