O governador Eduardo Riedel afirmou nesta segunda-feira (8), durante palestra no CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), no Rio de Janeiro, que Mato Grosso do Sul deixou de ser um Estado estritamente agrícola para se tornar uma potência agroindustrial, com foco na sustentabilidade, inovação e geração de oportunidades.
“Há 25 anos, éramos eminentemente agrícolas. Hoje, somos agroindustriais”, destacou Riedel, ao apresentar as transformações econômicas pelas quais o Estado tem passado, com base em investimentos bilionários, expansão industrial e uma nova agenda voltada à segurança alimentar, transição energética e inclusão social.
O evento, com o tema “Mato Grosso do Sul e a nova agenda global”, reuniu empresários, pesquisadores e representantes do setor produtivo. Riedel aproveitou a ocasião para enfatizar a importância da industrialização com valor agregado e o papel do Estado na liderança da sustentabilidade.
“Nosso desenvolvimento vem ocorrendo com responsabilidade ambiental. Temos um compromisso claro com a neutralização de carbono até 2030, utilizando áreas de pastagem degradada para produção agrícola, florestas plantadas, bioenergia e outras culturas”, explicou.
Segundo o governador, esse modelo sustentável não apenas preserva o meio ambiente, mas se torna também um diferencial competitivo: “A preservação ambiental precisa ser monetizada. É um ativo econômico real. A nova Lei do Pantanal, por exemplo, pune quem descumpre regras, mas também premia quem conserva. Ela foi construída em consenso com produtores e ambientalistas.”
Novas culturas e fronteiras produtivas
Durante sua apresentação, Riedel citou o crescimento de novas culturas, como amendoim e laranja, que têm atraído grandes grupos internacionais para Mato Grosso do Sul. Com o avanço da citricultura no Estado — impulsionado por fatores como o greening que afeta plantações em São Paulo — o MS já alcança cerca de 40 mil hectares cultivados, com 35 mil toneladas produzidas. Segundo ele, o Estado pode assumir posição de destaque nacional no setor nos próximos quatro anos.
Também foi destaque o avanço da indústria de celulose, com destaque para a unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo e as novas fábricas em Bataguassu (Bracell) e Inocência (Arauco). Para dar suporte logístico à expansão, o governo concedeu 870 km de estradas pela chamada “Rota da Celulose”.
Rota Bioceânica: acesso direto ao Pacífico
Riedel também falou sobre a implantação da Rota Bioceânica, que conectará Mato Grosso do Sul aos portos do Chile, encurtando em até 14 dias o tempo de escoamento dos produtos para o mercado asiático.
“A ponte binacional entre Brasil e Paraguai está em construção e será o elo que viabiliza esse corredor logístico. A rota estará operacional até 2027, com as obras concluídas já em 2026”, garantiu.
O evento realizado pelo CEBRI, em parceria com o Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (IEPE/CdG), foi mais uma oportunidade para apresentar o potencial do Estado ao setor empresarial e à sociedade civil, reforçando a imagem de Mato Grosso do Sul como um polo moderno, produtivo e ambientalmente responsável.









