O recém-empossado ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), declarou nesta quinta-feira (16) que não conseguiu manter sua pré-candidatura ao Senado pelo Ceará nas eleições de 2026. Segundo ele, fatores políticos no estado impediram a continuidade do projeto, mesmo com desempenho favorável em pesquisas.
Em conversa com a imprensa, o ministro afirmou que a decisão foi tomada diante das circunstâncias locais e com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Essa minha desistência foi muito doída, porque eu me preparei para ser senador da República. Não por um projeto pessoal, mas para ajudar em um eventual segundo governo do presidente Lula no Senado Federal. A minha contribuição na Câmara já estava encerrada. Eu queria ir para o Senado para ajudar, porque ali não é Casa para as pessoas se aposentarem. Eu queria estar lá para tratar dos mesmos temas, com maior altivez, com mandato de senador. Não deixaram“, afirmou o ministro.
Decisão alinhada ao governo
De acordo com aliados, a retirada do nome de Guimarães da disputa ocorreu dentro de uma estratégia política que visa ampliar alianças no Ceará, abrindo espaço na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), que deve buscar a reeleição.
O ministro reconheceu que o recuo foi difícil, mas ressaltou que atendeu a um pedido direto do presidente, o que considerou determinante. Com a nova função no governo, ele também ficará impedido de concorrer a cargos eletivos no próximo pleito.
“A realidade política lá é essa, e aí eu já virei a chave. É claro que as pessoas perguntam muito: você vai ficar sem mandato? Na vida, eu tomei uma decisão muito consciente, até porque é a primeira vez que estou falando sobre isso, e atendi a um apelo do presidente. Foram muito doídos os bastidores disso tudo para mim, pessoalmente”, disse.
Prioridade ao projeto político
Guimarães também afirmou que optou por não avançar com a candidatura para evitar possíveis impactos negativos ao partido no estado. Segundo ele, havia apoio eleitoral suficiente, mas a decisão levou em conta o cenário mais amplo e a articulação entre lideranças locais.
“O PT, se fosse para voto, me apoiava, tinha voto de sobra, mas eu não queria ser responsabilizado por eventuais derrotas ou pelo futuro lá. Então, eu não podia fazer isso à revelia do Camilo (Santana), do governador (Elmano de Freitas) e das outras lideranças. Eu fiz isso absolutamente consciente para atender a uma coisa: ajudar, com o compromisso que eu tenho com o projeto”, declarou.










