O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve em Brasília, nesta terça-feira (2), para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está detido sob acusação de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. A ida ocorreu em meio a um momento de desgaste público entre integrantes da família e aliados, após divergências relacionadas à articulação política do PL em alguns estados.
Após o encontro na Superintendência da Polícia Federal, Flávio admitiu que conversou com Michelle Bolsonaro e pediu desculpas à ex-primeira-dama, em uma tentativa de reduzir a tensão interna.
“Eu expliquei para ele o que tinha acontecido, mas já me resolvi com a Michelle, pedi desculpas a ela, ela também. Isso não vai se repetir”, afirmou o senador, em referência à conversa com o pai.
Divergências sobre alianças políticas geraram atrito
A crise ganhou força depois que Michelle Bolsonaro demonstrou insatisfação, nos bastidores, com a articulação do PL no Ceará — em especial, com o apoio do deputado federal André Fernandes (PL-CE) a um grupo político ligado a Ciro Gomes. A manifestação teria desagradado filhos do ex-presidente, que afirmaram que as tratativas contavam com conhecimento e aval de Jair Bolsonaro.
Segundo Flávio, ainda não há definição oficial sobre alianças estaduais da legenda.
“Lá no Ceará, assim como em vários outros estados do Brasil, não tinha nenhuma decisão tomada, como não tem. Isso vai ser conversado entre a gente para depois o presidente dar a palavra final”, declarou.
Ele acrescentou que o episódio serviu como alerta para a necessidade de maior diálogo interno.
“A gente vai criar uma rotina de tomar as decisões em conjunto. O lado bom disso tudo é que a gente vai tomar decisões mais conscientes, ouvindo mais pessoas, com o presidente resolvendo no final”, completou.
Michelle e filha poderão visitar Jair Bolsonaro
Também nesta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que Michelle Bolsonaro visite o ex-presidente na próxima quinta-feira (4). A ex-primeira-dama estará acompanhada da filha Laura, de 15 anos. A autorização conjunta foi concedida por ela ser menor de idade.
Bastidores indicam disputa por espaço e influência
Nos bastidores, aliados e comentaristas políticos avaliam que a crise expôs uma disputa interna por protagonismo e influência dentro do grupo político ligado ao ex-presidente. De um lado, interlocutores afirmam que Michelle tem ampliado sua atuação pública e política desde a detenção do marido. Do outro, filhos de Bolsonaro buscam preservar o controle sobre decisões estratégicas do partido.
Embora a família negue publicamente um racha, a troca de críticas evidenciou um momento de instabilidade no núcleo político bolsonarista, justamente em um período considerado decisivo para o futuro do grupo.
Flávio, no entanto, tentou encerrar o episódio com uma mensagem de conciliação:
“Isso não vai se repetir. Vamos tomar decisões ouvindo mais pessoas. As chances de errar são menores assim”.









