sábado, 07 fevereiro 2026

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há 3 dias

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Flávio Bolsonaro avança nas pesquisas, mas Centrão exige mais do que o peso do sobrenome

Pré-candidato ao Planalto em 2026 é visto como competitivo, porém sofre pressão para detalhar propostas, moderar o discurso e ampliar articulações políticas

Atualizado: há 4 dias

Ricardo Prado - com informações da revista Veja

Com a retomada dos trabalhos do Congresso Nacional e do Judiciário em um ano pré-eleitoral, a dinâmica política em Brasília passa a ser fortemente influenciada pela corrida presidencial de 2026. Esse ambiente já afeta diretamente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cujo desempenho em pesquisas recentes chama a atenção, mas também desperta cobranças de aliados em potencial.

A avaliação foi feita pelo colunista Mauro Paulino no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, ao analisar como o calendário eleitoral redefine prioridades no Legislativo. Segundo ele, em períodos como este, a atuação parlamentar passa a ser guiada majoritariamente por interesses eleitorais. “Todas as atitudes passam a ser voltadas para facilitar interesses eleitorais. Isso é natural e recorrente”, afirmou.

Força do sobrenome e limites do crescimento

Os levantamentos mais recentes indicam crescimento de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, movimento atribuído, em grande parte, à associação direta com o sobrenome Bolsonaro. Para Paulino, trata-se de um fenômeno de transferência automática de apoio eleitoral, ainda forte entre determinados segmentos do eleitorado.

“O que existe até aqui é uma candidatura de sobrenome”, avaliou o analista. Apesar do avanço nas pesquisas, ele aponta que o senador ainda enfrenta entraves relevantes, como elevados índices de rejeição e a ausência de um projeto de governo claramente apresentado ao eleitorado fora de sua base ideológica.

Pressão do comando do PL

A necessidade de ajustes na estratégia tem sido defendida dentro do próprio Partido Liberal. De acordo com análise citada no programa, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, tem cobrado do pré-candidato uma mudança de postura, com redução do tom de confronto e maior ênfase em propostas objetivas voltadas à gestão pública.

“O povo está cansado de encrenca”, disse Valdemar, ao sugerir que Flávio Bolsonaro adote uma comunicação mais pragmática, capaz de dialogar com o mercado, com o Centrão e com eleitores fora da chamada bolha ideológica. A avaliação interna é que, sem essa inflexão, será difícil atrair o apoio de partidos estratégicos como PP e União Brasil.

Lançamento improvisado e desgaste com aliados

Outro ponto levantado por Paulino diz respeito à forma como a pré-candidatura foi anunciada. Segundo ele, o lançamento ocorreu sem articulação prévia e surpreendeu inclusive setores do próprio PL, além de gerar desconforto entre legendas do Centrão, que defendiam uma construção política mais gradual e, em alguns casos, viam com simpatia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“O lançamento foi um desperdício”, afirmou Paulino. “Não houve articulação, nem conversa, nem estratégia de marketing político. Isso é básico.” Para o colunista, a falta de diálogo inicial criou um obstáculo adicional, já que disputas presidenciais exigem alianças amplas e coordenação prévia entre partidos.

Desafio de consolidar a candidatura

Apesar das críticas, o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas é considerado um dado relevante no tabuleiro eleitoral. Para Mauro Paulino, o desafio central será transformar o capital eleitoral associado ao sobrenome em uma candidatura consistente, com propostas claras e alianças políticas viáveis.

“A partir desse lançamento de supetão, será preciso fazer política de verdade: conversar, articular e apresentar propostas”, concluiu. Sem esse movimento, a avaliação é que o crescimento pode não se sustentar diante das exigências do eleitorado de centro, visto como decisivo na disputa presidencial.

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