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sábado, 14 março 2026

QUEBRA DE ALIANÇA

15/07/2025 08:00

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Eduardo Bolsonaro ataca Tereza Cristina nos EUA e diz que lei proposta pela senadora é "inócua"

Deputado em autoexílio no Texas critica aliados do próprio campo político e condiciona volta ao Brasil a sanções contra Moraes

Atualizado: 15/07/2025 18:56

Da redação

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) foi alvo de críticas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde março. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Eduardo afirmou que a chamada Lei da Reciprocidade, proposta por Tereza e sancionada nesta segunda-feira (14) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é “inócua” e pode acabar favorecendo o governo petista.

“O Congresso aprovou uma lei inócua. E me causa estranheza gente da direita apoiar esse projeto, porque ainda dá a oportunidade de o Lula dizer que está agindo em nome das instituições brasileiras, do povo brasileiro inteiro, porque foi aprovado com o apoio de muita gente da direita. Um projeto que teve a iniciativa da senadora Tereza Cristina”, declarou o deputado.

A norma criticada por Eduardo prevê a possibilidade de o Brasil retaliar países que impuserem barreiras ou sobretaxas aos seus produtos, como as que vêm sendo articuladas por Donald Trump nos EUA e pela União Europeia.

A intenção, segundo Tereza Cristina e outros parlamentares, é proteger setores estratégicos da economia nacional, como o agronegócio. Eduardo, no entanto, vê na sanção um instrumento político que poderá fortalecer Lula em meio à crise comercial.

De seu "autoexílio" no Texas, o deputado também atacou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato da direita à Presidência em 2026. Para Eduardo, o fato de Tarcísio tentar negociar uma saída diplomática para as tarifas com a Embaixada americana foi um “desrespeito”.

“Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos... queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro é apontado como um dos articuladores da pressão junto ao ex-presidente Donald Trump, que resultou na imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. A ação, segundo ele, tem como objetivo expor o que chama de perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF) contra seu pai, Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de Estado.

Mesmo com a possibilidade de perder o mandato por ausência prolongada, o deputado reafirmou que só retorna ao Brasil se o ministro Alexandre de Moraes for sancionado pelo governo norte-americano.

“A minha data para voltar é quando Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

A licença parlamentar de Eduardo, pedida em março, termina na próxima semana. Caso não retorne, poderá ser enquadrado por abandono do mandato, o que abriria caminho para a perda definitiva da cadeira na Câmara dos Deputados.

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