Documentos divulgados pelo Congresso dos Estados Unidos na quarta-feira (12) trazem novas informações envolvendo o bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Em uma das trocas de e-mails, datada de setembro de 2018, Epstein afirma ter participado de uma ligação em que estaria presente o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à época preso em Curitiba. Na mesma conversa, ele se refere a Jair Bolsonaro — então candidato ao Planalto — como “o cara”.
Os registros fazem parte de um amplo conjunto de mais de 20 mil arquivos relacionados às investigações sobre a rede de exploração sexual comandada por Epstein nos anos 2000. O bilionário foi detido em 2019 e morreu no mês seguinte, em circunstâncias apontadas pelas autoridades como suicídio.
O nome do interlocutor de Epstein na troca de mensagens foi ocultado pelos investigadores. De acordo com os e-mails, a suposta ligação teria ocorrido em 21 de setembro de 2018, um dia após a visita do linguista e filósofo Noam Chomsky a Lula, conforme registros oficiais.
No diálogo, Epstein relata:
“Chomsky me ligou com o Lula. Da prisão. Que mundo.”
O interlocutor responde:
“Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno.”
Em seguida, Epstein menciona uma declaração de Lula direcionada ao PT e conclui:
“Bolsonaro é o cara.”
A Secretaria de Comunicação da Presidência afirma que não houve qualquer ligação telefônica envolvendo Lula. A defesa de Jair Bolsonaro também foi procurada, mas ainda não se manifestou.
Outras menções a Lula
Outro conjunto de mensagens, de fevereiro de 2019, mostra Epstein comentando novamente sobre o petista. Ele menciona que Chomsky poderia se encontrar com seu interlocutor, mas alerta que o acadêmico e a esposa, brasileira, mantinham proximidade com Lula. Epstein descreve Chomsky como uma “figura icônica” e diz que faria a ponte para que ambos conversassem sobre política e história.

Em e-mails, Epstein cita Lula e Bolsonaro' - Reprodução
E-mails ampliam pressão sobre Trump
As correspondências divulgadas nesta semana incluem ainda menções ao ex-presidente Donald Trump. Em um e-mail de janeiro de 2019, Epstein afirma que Trump “sabia sobre as garotas”, referência às vítimas cuja identidade foi preservada nos documentos. Há ainda citações ao resort Mar-a-Lago, na Flórida.
Em outra mensagem, enviada meses antes à socialite Ghislaine Maxwell — posteriormente condenada por facilitar o esquema criminoso — Epstein diz que “o cachorro que não latiu é Trump”, insinuando que o então presidente não mencionava seus encontros anteriores com uma das vítimas.
Trump reagiu publicamente, classificando as mensagens como uma “armadilha” criada por adversários democratas para desviar o foco da paralisação do governo federal à época. A Casa Branca também afirmou que o presidente “não fez nada de errado” e acusou a oposição de manipular a divulgação dos e-mails para desgastar o governo.
A controvérsia reacendeu o debate sobre possíveis vínculos de autoridades norte-americanas com Epstein e adicionou pressão política em meio às disputas no Congresso dos EUA.









