quarta, 17 dezembro 2025

Nepotismo

08/11/2025 12:00

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Deputado Coronel Chrisóstomo é acusado de empregar familiares em seu gabinete na Câmara

Parlamentar do PL-RO teria mantido companheira, cunhada e concunhados em cargos comissionados; salários pagos somam mais de R$ 2 milhões

Atualizado: 08/11/2025 09:41

Ricardo Prado

O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, é apontado por ter lotado no próprio gabinete, na Câmara dos Deputados, sua companheira, uma cunhada e dois concunhados. Somados, os salários pagos aos familiares ultrapassam R$ 2,1 milhões desde o início das nomeações. As informações são da coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles.

Entre os nomes envolvidos está Elizabeth Dias de Oliveira, companheira do parlamentar, que atua como secretária parlamentar desde abril de 2020 — antes da formalização da união estável, registrada em 2022. De acordo com documentos oficiais, ela já recebeu mais de R$ 1,2 milhão em remuneração e alcançou o teto salarial do cargo, com vencimentos próximos a R$ 18,7 mil mensais.

A cunhada de Chrisóstomo, Naara Star de Oliveira Souza Dias, também aparece na folha de pagamento desde 2022, com ganhos brutos de R$ 8,7 mil. Já a concunhada, Gabriela Aparecida de Lima Oliveira, foi contratada no mesmo período, inicialmente com salário de R$ 1,9 mil, mas chegou a receber mais de R$ 13 mil em 2023. Ao todo, ela já acumulou mais de R$ 530 mil em vencimentos.

Outro nome citado é Luy Ferreira Sobral, namorado de Naara, que ingressou no gabinete em agosto de 2025. Seu contracheque mais recente indica remuneração bruta de R$ 18,7 mil, valor somado a auxílios e benefícios.

O Supremo Tribunal Federal (STF) e a própria Câmara dos Deputados vedam a nomeação de familiares em cargos de confiança, por configurar nepotismo. A união estável entre o deputado e Elizabeth, segundo entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU), gera parentesco por afinidade em primeiro grau — o que se enquadra nessa proibição.

Em nota enviada após a divulgação do caso, Coronel Chrisóstomo afirmou ter exonerado todos os parentes e negou irregularidades. Disse ainda que “todos os assessores exerciam funções de forma competente e comprometida com o mandato”.

O parlamentar, que se apresenta como defensor de pautas conservadoras e cristãs, está em seu segundo mandato federal. Oficial da reserva do Exército, Chrisóstomo construiu sua carreira política em Rondônia e é conhecido por apoiar o governo Bolsonaro e as Forças Armadas.

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