A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) instaurou um procedimento para apurar as condições de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A iniciativa ocorre após o recebimento de ofícios encaminhados por parlamentares que solicitam a verificação das circunstâncias da custódia.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, acusado de liderar uma organização criminosa envolvida em articulações golpistas e tentativa de golpe de Estado.
A apuração foi motivada por pedidos do senador Izalci Lucas (PL-DF) e do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que defendem a realização de inspeção presencial no local de detenção, a checagem da assistência médica prestada ao ex-presidente e a avaliação de eventuais medidas de caráter humanitário.
Em nota, a Defensoria informou que o procedimento foi instaurado no âmbito de suas atribuições constitucionais de fiscalização e garantia de direitos fundamentais de pessoas sob custódia do Estado. O órgão ressaltou que atua de forma técnica, imparcial e independente, sem análise prévia de mérito, e que eventuais apurações seguem os trâmites legais e institucionais.
Queda na cela e atendimento médico
Na semana passada, Jair Bolsonaro sofreu uma queda dentro da cela e bateu a cabeça em um móvel. De acordo com a equipe médica responsável por seu acompanhamento, o ex-presidente teve um traumatismo craniano leve.
No dia seguinte ao episódio, e com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro foi encaminhado a um hospital particular da capital federal para a realização de exames. Após a confirmação do diagnóstico, ele retornou à unidade da Polícia Federal, onde permanece detido.
Familiares, aliados políticos e pessoas próximas ao ex-presidente afirmam que o quadro de saúde é delicado e defendem a concessão de prisão domiciliar. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, declarou que o pai necessitaria de acompanhamento médico contínuo.
Aliados apontam ruído constante em cela da PF e falam em desgaste psicológico de Bolsonaro
Após visitar o pai na manhã desta terça-feira (13), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece exposto a um ruído contínuo dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Segundo o parlamentar, o barulho do ar-condicionado seria intenso e constante, afetando as condições físicas e psicológicas do ex-presidente.
“Ele está sendo obrigado a ficar 12 horas por dia dormindo com um barulho forte do ar-condicionado no ouvido. Isso não existe, isso é uma tortura psicológica que precisa mudar”, afirmou Flávio Bolsonaro após a visita.
O senador relatou ainda que Bolsonaro apresentou leve melhora no quadro geral, mas segue com limitações físicas. De acordo com ele, o ex-presidente ainda tem o pé machucado, com uma ferida no dedão que não cicatrizou, e passou recentemente por um episódio de queda dentro da cela. Flávio afirmou que o pai conseguiu dormir melhor após utilizar um aparelho de respiração, mas acordou, sentou-se na cama, perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça, sem se lembrar exatamente do ocorrido.
Para o senador, o episódio reforça o risco de Bolsonaro permanecer sozinho sob custódia. “Mostra que é um grande risco ele ficar sozinho. Ele precisa de um cuidado permanente, com acompanhamento da família e da enfermagem”, disse.
Flávio Bolsonaro voltou a defender a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias, afirmando que os advogados trabalham para que o ex-presidente seja transferido para o regime previsto em lei para pessoas em sua condição.
O tema também ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que mostra o interior da cela. Na publicação, o parlamentar descreve o ruído ambiente como “perturbador” e afirma que o barulho constante compromete a saúde do ex-presidente, classificando a situação como “tortura física e psicológica”.
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou oficialmente sobre as declarações dos parlamentares nem sobre as condições acústicas da cela mencionadas.









