A Câmara Municipal de Campo Grande rejeitou o projeto de lei que autorizava a terceirização da gestão de unidades de saúde da Capital. Em sessão marcada por forte mobilização popular e plenário lotado, os vereadores votaram por 17 votos contrários e 11 favoráveis, barrando a proposta do Executivo.
O texto previa a implantação de um modelo de gestão por Organização da Sociedade Civil (OSC) em dois Centros Regionais de Saúde (CRSs), nos bairros Aero Rancho e Tiradentes, como projeto piloto com duração inicial de 12 meses. A Prefeitura defendia a medida como alternativa diante da falta de servidores e limitações orçamentárias.
Apesar disso, a proposta enfrentou resistência dentro e fora da Câmara. Manifestantes ocuparam o plenário com cartazes e protestos contra o que classificaram como “privatização da saúde pública”.
Votação expõe divisão na Câmara
A votação evidenciou a divisão entre os parlamentares, com predominância de votos contrários ao projeto.
Votaram contra a proposta:
- Maicon Nogueira (PP)
- Marquinhos Trad (PDT)
- André Salineiro (PL)
- Jean Ferreira (PT)
- Victor Rocha (PSDB)
- Luiza Ribeiro (PT)
- Silvio Pitu (PSDB)
- Flávio Cabo Almi (PSDB)
- Fábio Rocha (PSD)
- De Lívio (União Brasil)
- Francisco Gonçalves (União Brasil)
- Landmark Rios (PT)
- Otávio Trad (PSD)
- Ana Portela (PL)
- Delei Pinheiro (PSDB)
- Jamal Salém (MDB)
- Ronilson Guerreiro (Podemos)
Votaram a favor da proposta:
- Rafael Tavares (PRTB)
- Carlos Augusto Borges “Carlão” (PSB)
- Beto Avelar (PP)
- Clodoilson Pires (Podemos)
- Herculano Borges (Republicanos)
- Júnior Coringa (MDB)
- Neto Santos (Republicanos)
- Professor Juari (PSDB)
- Professor Riverton (PSD)
- Wilson Lands (Avante)
- Leinha (Avante)
Projeto gerou críticas por falta de detalhamento
Antes mesmo da votação, o projeto já havia sido alvo de críticas dentro da própria Câmara. Vereadores apontaram falta de informações sobre custos, metas e critérios de gestão, o que levou à apresentação de diversas emendas e até adiamentos anteriores.
Além disso, parlamentares cobraram mais transparência e participação do Conselho Municipal de Saúde no acompanhamento da eventual execução do modelo.
Pressão popular pesou no resultado
A sessão foi acompanhada por servidores da saúde, sindicatos e movimentos sociais, que pressionaram os vereadores contra a proposta. O clima no plenário foi descrito como intenso, embora sem registro de conflitos.
Para críticos, a terceirização poderia abrir caminho para a precarização do atendimento. Já a Prefeitura argumentava que o modelo manteria os serviços pelo SUS, com gestão administrativa compartilhada.
Próximos passos
Com a rejeição, o projeto não avança na forma apresentada. No entanto, o tema deve continuar em debate na Capital, já que o Executivo vinha tratando a medida como alternativa para melhorar a eficiência da rede pública.
A votação reforça o peso político da Câmara Municipal sobre mudanças estruturais na saúde e evidencia a dificuldade de consenso em propostas que envolvem gestão indireta de serviços públicos.










